Há afirmações taxativas quanto à insuficiência nossa na comp...

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Q2397957 Português
A ilha do conhecimento



       Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que ponto podemos compreender a natureza da realidade?

       O que vemos no mundo é uma ínfima fração do que existe. Muito do que existe é invisível aos olhos, mesmo quando aumentamos nossa percepção sensorial com telescópios, microscópios e outros instrumentos de exploração. Tal como nossos sentidos, todo instrumento tem um alcance limitado. Como muito da Natureza permanece oculto, nossa visão de mundo é baseada apenas na fração da realidade que podemos medir e analisar. A ciência, nossa narrativa descrevendo aquilo que vemos e que conjecturamos existir no mundo natural, é, portanto, necessariamente limitada, contando-nos apenas parte da história. Quanto à outra parte, que nos é inacessível, pouco podemos afirmar. Porém, dados os sucessos do passado, temos confiança de que, passado tempo suficiente, parte do que hoje é mistério será incorporado na narrativa científica — desconhecimento se tornará conhecimento.

       Essa visão dos nossos limites nada tem de anticientífica ou derrotista. Também não se trata de uma proposta para que sucumbamos a algum obscurantismo religioso. Pelo contrário, o impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente do flerte com o mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O não saber é a musa do saber.

         Nos últimos duzentos anos, avanços na física, na matemática e, mais recentemente, nas ciências da computação, nos ensinaram que a própria Natureza tem um comportamento esquivo do qual não podemos escapar. A própria Natureza — ao menos como nós percebemos — opera dentro de certos limites. O filósofo grego Heráclito já havia percebido isso quando escreveu, 25 séculos atrás, que “A Natureza ama esconder-se”.



(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. São Paulo: Editora Record, 2023, p. 13-4 e 19)
Há afirmações taxativas quanto à insuficiência nossa na compreensão do mundo. Ainda assim, o autor acredita que
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Tema central: Interpretação de Texto — a questão cobra a análise de ideias principais, inferências e argumentação do texto, habilidades basilares para Analista Judiciário, de acordo com a norma-padrão e autores como Bechara e Cunha & Cintra.

Justificativa da alternativa correta (D):

O texto destaca que nossa compreensão do mundo é limitada, mas afirma que o desejo de ultrapassar essas limitações nasce justamente do confronto com o desconhecido: “O não saber é a musa do saber”. Assim, o “fato de haver tantos enigmas no mundo” estimula o impulso da busca pelo conhecimento — ideia alinhada à alternativa D. Segundo a “Moderna Gramática Portuguesa”, é fundamental interpretar o contexto e identificar a intenção do autor para fechar o sentido do texto (Bechara); aqui, fica claro que a valorização do mistério fomenta o avanço científico.

Análise das alternativas incorretas:

A) “o obscurantismo contribui com a ciência ao satisfazer-se com os mistérios...”
Equívoco: O texto repudia a acomodação no mistério e não sugere que o obscurantismo colabore com a ciência; o impulso é desafiar o desconhecido, não aceitá-lo passivamente.

B) “não há por que temer o obscurantismo...”
Equívoco: A menção ao “obscurantismo religioso” serve apenas para afastar tal postura da proposta do texto, sem relativizar seus perigos.

C) “o avanço das ciências... é mais do que promissor.”
Equívoco: Apesar dos avanços, o texto aborda principalmente os limites do conhecimento, não uma visão de progresso ilimitado.

E) “a natureza mesma acabará por desvelar-se...”
Equívoco: O autor reforça a ideia de que nunca conheceremos tudo: “A Natureza ama esconder-se”. Não há argumento de técnicas ilimitadas.

Estratégia para provas: Sempre identifique a tese do texto e desconfie de alternativas com exageros (“tudo”, “nunca”, “sempre”) ou que contradigam o argumento central.

Consolidando: A alternativa D está correta ao traduzir a ideia central do texto — o mistério impulsiona o saber. Compreender esse mecanismo da interpretação, como ensinam os maiores gramáticos, previne erros em provas futuras.

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Comentários

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GAB: D

Pelo contrário, o impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente do flerte com o mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O não saber é a musa do saber.

Em resumo: no texto ele fala que não saber contribui para que o ser humano queira ir além descobrir.

Ele não fala que "deve", fala que "é" assim. Não entendi porque o gabarito é d).

quanto mais misterioso mais se quer desvendar.

gab D

"O não saber é a musa do saber."

gab D

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