Qual é a função sintática da oração subordinada substantiva...

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Q3416239 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Dez anos sem Ariano Suassuna (final)

Aurélio Molina | Prof. Dr. Associado e Livre Docente da UPE, Ph.D. pela University of Leeds (UK), Membro das Academias Pernambucanas de Medicina, de Ciências e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

Publicado em: 21/08/2024

    Me recordo de um diálogo, já com seu problema de saúde firmado e sob tratamento, com seu filho Dantas, quando expressei minha angústia de não ver sua obra terminada. E a resposta foi: ele nunca irá terminá-la simplesmente porque ele não deseja terminá-la. Mas, enfim, uma das versões foi finalizada e publicada. Espero que o material original ainda exista e seja tão lindo quanto a versão que testemunhei. Também é impossível falar de Ariano sem mencionar sua profunda espiritualidade e religiosidade. Ela está presente em toda sua obra e no seu dia a dia, inclusive com símbolos místicos de várias tradições. Sob a capa de uma dureza sertaneja, sua fé cristã o levava a uma marcante compaixão para com o outro (individual e coletivo), particularmente aqueles mais pobres.
    Ele e Zélia rezavam todos os dias, antes de dormir, ajoelhados ao pé da cama, pedindo proteção e BENÇÃOS a todos os familiares e perdão aos que poderiam ter ofendido. E entre tantas coisas marcantes que pude testemunhar, o perdão a todos os envolvidos com o assassinato de seu pai, tragédia que marcou dolorosamente sua personalidade, foi talvez o ápice da sua Senda Espiritual.
    Apesar do evidente enfoque regional de sua obra, sua cultura e ERUDIÇÃO eram universais. Era um leitor tão voraz, que, certa vez, um trabalhador que fazia obras na casa da Rua do Chacon (Ilumiara Coroada) teria comentado que Zélia era trabalhadora, mas ele, Ariano, não saía da cama e só ficava lendo livros. Mal desconfiava ele da capacidade de trabalho de nosso personagem que muitas vezes passava horas e horas trancado em seu gabinete, totalmente dedicado aos seus afazeres artísticos e intelectuais. Tinha especial carinho por Cervantes, Dostoievsky e Tolstoi, que afirmava reler com enorme satisfação. Aliás, desconfio que uma famosa frase desse último foi internalizada (consciente ou não) como um mantra pessoal (“se queres ser Universal comece pintando sua aldeia”).
    Suspeito também que a religiosidade e a espiritualidade singular desses dois grandes nomes da literatura russa também o tenham influenciado, embora não tenha certeza de que a obra CULMINANTE da visão cristã do autor de Guerra e Paz e Anna Karerina, “O Reino de Deus está em Vós”, considerada por alguns como a obra prima de seus ensaios, tenha sido lida por ele porque, entre nós, ela só foi publicada em 1994, após quase um século de desaparecimento. E a importância que Ariano dava à cultura universal ficou profundamente marcada em mim quando certa vez me recomendou: Aurélio, leia os Clássicos! Jamais olvidei de tal conselho. Mas tentar “explicar” Ariano sem citar a importância de sua Zélia seria deveras incompleto. Seu amor por ela foi uma das coisas mais bonitas que presenciei. Sem esse sentimento e a importância dele em sua trajetória existencial, o Ariano que conhecemos, em minha opinião, não existiria.
    Finalmente, pelo seu compromisso inquebrantável com a criação de uma identidade nacional, por suas contribuições na VALORIZAÇÃO do que o povo brasileiro tem de mais autêntico e pela clareza de nossa importância no rol das nações, como país AUTIVO, independente e soberano, não tenho dúvida em afirmar que, mesmo envolto em algumas importantes polêmicas, além de um grande ser humano, gênio de nossa raça, Ariano também é merecedor do título, dentre tantos outros, de Herói do Povo Brasileiro.

MOLINA, Aurélio. Dez anos sem Ariano Suassuna (final). Diário de Pernambuco, 21 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/opiniao/2024/08/dezanos-sem-ariano-suassuna-final.html. Acesso em: 21 ago. 2024. Adaptado.
Qual é a função sintática da oração subordinada substantiva grifada no excerto abaixo?

“Espero que o material original ainda exista e seja tão lindo quanto a versão que testemunhei.” (1º parágrafo)
Alternativas

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Tema central: Função sintática das orações subordinadas substantivas. Para resolver a questão, é essencial compreender como uma oração subordinada pode exercer funções típicas dos substantivos, sendo particularmente necessário identificar quando ela funciona como objeto direto.

Justificativa da alternativa correta (B – Objeto direto):

No trecho: “Espero que o material original ainda exista e seja tão lindo quanto a versão que testemunhei.”

A oração destacada “que o material original ainda exista” completa o sentido do verbo “espero”. Segundo a norma-padrão, o verbo esperar é transitivo direto. O complemento (sem preposição) que responde à pergunta “Espero o quê?” é exatamente essa oração. Logo, ela exerce a função de objeto direto.

Evanildo Bechara explica que as orações subordinadas substantivas objetivas diretas funcionam como substantivos e completam verbos transitivos diretos (Moderna Gramática Portuguesa). Celso Cunha e Lindley Cintra reforçam que, nesse caso, o verbo não exige preposição.

Atenção! Uma das maiores pegadinhas é confundir a função de sujeito com a de objeto. Aqui, o sujeito está oculto (eu), e a oração atendendo ao verbo é complemento, não sujeito.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Sujeito: Incorreta. O sujeito de "espero" é oculto "eu", não a oração grifada.
  • C) Predicativo do sujeito: Incorreta. A oração não atribui característica nem ao sujeito, nem ao objeto.
  • D) Aposto enumerativo: Incorreta. Não enumera, explica ou aprofunda substantivo.
  • E) Complemento nominal: Incorreta. Não complementa o significado de nome, mas de verbo.

Estratégia para provas: Em orações subordinadas substantivas, verifique sempre qual termo pede complemento: se for verbo transitivo direto, a oração será normalmente objeto direto. Procure responder à pergunta “o quê?” para identificar essa função.

Conclusão: A alternativa correta é B) Objeto direto, pois a oração completa o sentido de “espero”, funcionando como objeto direto.

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Comentários

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O verbo "Espero" é um verbo transitivo direto. Ele pede um complemento que complete seu sentido. A oração subordinada "que o material original ainda exista e seja tão lindo quanto a versão que testemunhei" funciona como esse complemento, respondendo à pergunta "Espero o quê?".

Resumindo, é o OBJETO DIRETO

o objeto direto é um termo essencial da oração que completa o sentido de um verbo transitivo direto, indicando o alvo da ação verbal. Ele se liga diretamente ao verbo, quase que na maioria das vezes sem o uso de preposições.

Como Identificar o Objeto Direto?

Para identificar o objeto direto em uma frase, você pode fazer a seguinte pergunta ao verbo: "O quê?" ou "Quem?". A resposta a essa pergunta será o objeto direto.

Exemplos:

"Eu li um livro." (Li o quê? - um livro)

"Ela abraçou o amigo." (Abraçou quem? - o amigo)

"Eles compraram uma casa." (Compraram o quê? - uma casa)

Resumindo.

Para resolver sempre tente trocar o que por "os quais/o qual" ou "isso"

Deu certo no "os quais" = Oração subordinada adjetiva explicativa.

Deu certo no "isso" = Oração subordinada substantiva.

Logo após, Reescreva a frase substituindo por "isso", logo = Espero isso.

A partir disso faça a análise sintática da frase "Espero isso"

Sujeito oculto, pois quem espero? Eu.

Quem espera, espera alguma coisa. Espera "Isso", logo o "isso" é objeto direto.

Eu espero.. Espera o que? ISSO

rev

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