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Q1731231 Português

TEXTO 

O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

As polêmicas que rondam as grandes plataformas digitais

Comportamento fragiliza publicidade, imprensa e liberdade de expressão

Dudu Godoy, 25.mar.2021


As transformações promovidas pela tecnologia, destacadamente com o surgimento das grandes plataformas digitais, já garantiram a alcunha de que este é o novo capitalismo, composto por gigantes que atuam com buscadores e redes sociais.

Movimentando bilhões de dólares globalmente, essas plataformas tornaram-se não só um negócio bilionário, mas também alvo de questionamentos sobre os deveres e direitos de suas atividades, com implicações nas práticas de concorrência e no cumprimento das regras e normas que regem mercados em âmbito global.

Uma dessas polêmicas diz respeito à remuneração do conteúdo jornalístico por parte dessas plataformas, que reproduzem os conteúdos da imprensa e angariam publicidade e anunciantes com base neles, mas sem remunerar os veículos -batalha que também ocupa a cena nacional devido ao inquérito administrativo aberto pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) contra o Google.

Mas há outra questão que afronta a regra que ajudou a fortalecer essa indústria: a de que a publicidade deve remunerar veículos e agências com base nas normas-padrão estabelecidas pelo sistema de autorregulação do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão), que, até aqui, impediu a concorrência predatória e garantiu a sustentabilidade da atividade, com transparência e ética. 

É conhecido que cerca de 80% do faturamento dessas plataformas provêm da publicidade, e o restante, de serviços. Basta ver o número de anúncios que perseguem os usuários para saber que acessar essas plataformas tem um custo, e ele é coberto pelos anunciantes.

Embora seja visível que atuam como veículos de comunicação -ou seja, veiculam conteúdo e vendem publicidade-, o modelo de operação das plataformas contraria as normas-padrão de remuneração praticadas há mais de duas décadas sob a alegação de que não são veículos. Mas como definir um negócio cuja receita provém 80% da venda de publicidade e veiculação de conteúdo? Se não são veículos, parece se tratar de falácia de nomenclatura -assim como alguns termos mudaram sem que a essência da atividade deixasse de ser a descrita pelas novas nomenclaturas.

Com o agravante de que, aqui, falamos de regras estabelecidas para definir obrigações financeiras com as partes de toda uma cadeia e, assim, evitar que o poder dos mais fortes se sobreponha a um sistema justo e sustentável.

Mesmo ignorando o impacto financeiro sobre os negócios das agências e dos veículos -desfavorecidos por uma concorrência fora do parâmetro da indústria-, ainda temos a questão da liberdade de expressão, ameaçada sob o aspecto econômico, pois a sobrevivência dos veículos e da imprensa depende dos anúncios, e os veículos que seguem as regras acabam ameaçados de perder receita, ao contrário dos que não as seguem.

Está em questão em que medida a disrupção tecnológica que essas plataformas trouxeram justifica a implosão de normas aprimoradas por toda uma indústria ao longo de décadas, como se o simples fato de serem novas tecnologias justificasse o não enquadramento a essas normas, e em que medida se justifica a defesa de uma suposta liberdade comercial cujo objetivo último é garantir o lucro máximo apenas para essas plataformas, sem observar a sustentabilidade de toda a cadeia, e com impacto direto sobre agências e veículos de comunicação.

Esse comportamento fragiliza essa indústria e gera um impacto negativo sobre os negócios da própria imprensa e a liberdade de expressão, que só pode existir com veículos fortes e independentes.

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/03/as-polemicas-que-rondam-as-grand es-plataformas-digitais.shtml Acessado em 30/03/2021

Sobre os usos da crase no texto jornalístico, assinale a alternativa que explica corretamente a regra gramatical de cada caso analisado:
Alternativas

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Tema central: Uso da crase, fenômeno que ocorre na norma-padrão quando há fusão da preposição a com o artigo definido feminino a, formando à (com acento grave). A cobrança exige conhecimento das regras gramaticais, análise de regência verbal/nominal e domínio das particularidades do uso do acento grave.

Justificativa da alternativa C (correta):

Na frase analisada (“ao contrário dos que não as seguem”), o termo “as” trata-se de um pronome pessoal oblíquo feminino plural, que exerce função de objeto direto do verbo “seguir”. Pronomes pessoais não são precedidos de artigo e, por isso, jamais haverá crase antes deles. Não ocorre a fusão de preposição com artigo e, consequentemente, o uso do acento grave é incorreto.

Regra gramatical: “A crase não ocorre diante de pronomes pessoais, demonstrativos, de tratamento, indefinidos e relativos, em regra geral” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa).

Análise das alternativas incorretas:

A) “garantiu a sustentabilidade da atividade”: O verbo garantir, neste contexto, pede apenas objeto direto (“a sustentabilidade”). Não há exigência de preposição; logo, se houvesse crase aqui, seria erro.

B) “diz respeito à remuneração do conteúdo...”
A expressão “diz respeito” exige preposição a, e “remuneração” admite artigo feminino. Portanto, obrigatório o uso da crase (à remuneração). A alternativa erra ao dizer que é facultativa.

D) “ajudou a fortalecer essa indústria: a de que a publicidade deve remunerar...”:
O artigo feminino inicial (“a de que...”) refere-se a uma ideia (implícita: “a [questão/ideia] de que...”). Não há crase porque os elementos não formam preposição + artigo em uma só locução; além disso, a presença de dois pontos não impede a crase, se ela for exigida; mas aqui, só há o artigo.

Estratégias e dicas:

Identifique o termo regente (verbo ou nome) e veja se ele exige preposição “a”.
Verifique o termo seguinte: Se for feminino e admitir artigo, há possibilidade de crase.
Nunca use crase antes de pronomes pessoais.

Referências fundamentais: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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Comentários

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"[...] e os veículos que seguem as regras acabam ameaçados de perder receita, ao contrário dos que não as seguem." Posso estar enganada, mas estou achando esse artigo feminino plural com cara de pronome oblíquo.

Questão sem gabarito?

Está anulada.

ao contrário dos que não as seguem." Não há acento grave nesse caso porque trata-se apenas do artigo feminino plural.

Seria um artigo transvertido de pronome? Alguém poderia esclarecer essa anomalia? Nunca nem vi...

"as seguem"? artigo feminino plural? oi? isso é um pronome oblíquo em posição proclítica.

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