Leia o poema a seguir. Casamento do céu e do infernoNo azul...
Casamento do céu e do inferno
No azul do céu de metileno a lua irônica diurética é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna velam sonos púberes espantando mosquitos de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espiral diz-que tem virgens tresmalhadas, incorporadas à via láctea, vaga-lumeando...
Por uma frincha o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta que varre léguas de sete léguas e tem o ouvido fino que nem violino.
São Pedro dorme e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo suspiram bocas machucadas. Suspiram rezas? Suspiram manso, de amor.
E os corpos enrolados ficam mais enrolados ainda e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra! Tirante Laura e talvez Beatriz, o resto vai para o inferno.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Alguma poesia. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 2023. p. 14-15.)
A partir da leitura do poema, assinale a alternativa correta:
Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: A decisão estava na comparação entre o título, “Casamento do céu e do inferno”, e o fecho do poema, que associa desejo carnal, vontade de Deus e inferno.
- Em poema interpretativo, compare título e desfecho: quando ambos convergem, eles costumam fixar a chave de leitura global.
- Se o texto rebaixa figuras elevadas ou embaralha polos morais, desconfie de alternativas maniqueístas.
- Elimine alternativas que criam causalidades ou relações específicas não afirmadas pelo poema.
- Não isole uma imagem; confirme seu sentido pelos versos imediatamente seguintes e pelo movimento geral do texto.
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