Na introdução do texto, o autor faz referência a dados sobr...

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Q3916168 Português
Como uma teoria da motivação humana mostra que
jogos de tabuleiro podem ser os presentes perfeitos
para qualquer pessoa



Nos finais de ano, é quase inevitável conversarmos sobre a arte e a ciência de presentear. Até dá para evitar, mas eu não quero. Acho fundamental falar sobre isso, dado o quanto de dinheiro desperdiçamos dando coisas que não gostaríamos de ter comprado para pessoas que nem queriam ganhar aquilo. Levantamentos feitos pelo mercado nos EUA e no Reino Unido dão conta de que o equivalente a mais de meio bilhão de reais é gasto em presentes que ninguém quer: lembranças protocolares, acessórios inúteis, objetos de decoração que não agradam.
Mas às vezes somos obrigados a presentar mesmo sem querer: um amigo, um familiar. Seria possível contar com auxílio da ciência para acertar no presente?
Haverá algo que todo mundo goste?
De acordo com a Teoria da Autodeterminação, proposta nos anos 1970, existem três necessidades básicas psicológicas básicas de todo ser humano: autonomia – sensação de ter controle e ser livre em suas escolhas; competência – sentimento de ser eficaz, interagir com o ambiente e modificá-lo, desenvolvendo habilidades; e relacionamento – a criação de vínculos, interação entre pessoas, promovendo conexão e pertencimento. Essas necessidades são a base da motivação intrínseca – aquela força que nos leva a fazer as coisas porque queremos genuinamente, que nos trazem prazer em si mesmas, não dependendo de recompensas externas.
A ludicidade, incluindo brincar e jogar, talvez seja a expressão mais completa da motivação intrínseca. É um impulso prazeroso por si só, provavelmente fixado em nossos instintos por nos levar a praticar habilidades e adquirir competências. E é por isso que sugiro que presenteemos com jogos. Apesar de divertidos, eles são mais sérios do que imaginamos quando se considera o quanto preenchem nossas necessidades de autonomia – já que nos jogos somos obrigados a fazer nossas próprias escolhas -, competência – uma vez que estamos praticando ali diversas habilidades -, e obviamente relacionamentos – peça chave dos jogos de tabuleiro.
Seja qual for o perfil da pessoa que você precisa presentear, com a quantidade de títulos que temos disponíveis hoje em dia é impossível não encontrar uma opção que a agrade, pois há alguns lançamentos recentes que mostram essa profusão de possibilidades.

É possível jogar individualmente, de dois a quatro jogadores, e também formar duplas, o que acrescenta mais uma camada de desafio às partidas, já que é preciso entrar perfeita em sintonia com o parceiro.


Texto de Daniel de Barros (adaptado). Disponível em https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tubo-de-ensaios/ coluna/2025/11/, acesso em 13 de dezembro de 2025
Na introdução do texto, o autor faz referência a dados sobre gastos com presentes indesejados. O objetivo comunicacional dessa referência é 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A menção a "Levantamentos feitos pelo mercado nos EUA e no Reino Unido dão conta de que o equivalente a mais de meio bilhão de reais é gasto em presentes que ninguém quer" cumpre função argumentativa de sustentação: em texto de interpretação, dados quantitativos dimensionam o problema e conferem objetividade à tese, o que conduz ao gabarito B.

Tema central: função argumentativa dos dados quantitativos
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa desloca o foco. Há crítica implícita ao desperdício, mas o dado estatístico não é usado principalmente para atacar o consumo de fim de ano nem o mercado de presentes. Sua função textual é mostrar a dimensão objetiva do problema dos presentes indesejados.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a referência a "levantamentos" e ao valor de "mais de meio bilhão de reais" não aparece como detalhe acessório, mas como base de sustentação da argumentação. O autor primeiro apresenta o problema do desperdício com presentes inadequados e, em seguida, usa o dado quantitativo para comprovar que esse problema é amplo e mensurável. Isso fundamenta racionalmente o ponto de partida do texto antes da proposta de solução.
C
Errada
Está errada porque não há ironia nesse uso dos dados. O trecho com "levantamentos" e quantificação adota tom expositivo-argumentativo, com formulação objetiva do problema. O texto não ridiculariza pessoas; ele sustenta uma tese com números.
D
Errada
A alternativa afirma algo que o texto não sustenta. O autor não defende que a prática de presentear deva ser sempre mantida; ao contrário, ele problematiza a prática quando ela gera desperdício e busca uma forma mais acertada de escolher presentes.
E
Errada
A progressão do texto aponta para o oposto do que a alternativa diz. Depois dos dados, o autor pergunta: "Seria possível contar com auxílio da ciência para acertar no presente?" Portanto, a introdução encaminha para uma explicação racional e científica, não para a valorização da intuição emocional acima da racionalidade crítica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crítica indireta ao desperdício e função principal da estatística: o dado pode até reforçar a crítica, mas seu objetivo comunicacional central é fundamentar a argumentação com evidência quantitativa.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão perguntar a função de números, levantamentos ou percentuais, verifique se eles estão sendo usados para provar, dimensionar ou dar objetividade a uma tese.
  • Não confunda tema mencionado com finalidade do recurso textual: falar de desperdício não significa que o objetivo do dado seja criticar o consumismo.
  • Observe o encadeamento da introdução: problema apresentado, dado que o comprova e, depois, encaminhamento da solução argumentativa.

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