No choque hipovolêmico do paciente politraumatizado 

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Q4153333 Medicina

No choque hipovolêmico do paciente politraumatizado 

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No choque hipovolêmico do politraumatizado, a coagulopatia do trauma decorre de perda de fatores e plaquetas, consumo/desregulação da coagulação com fibrinólise e agravamento por acidose e hipocalcemia; como a alternativa B descreve esse mecanismo, ela é a correta.

Tema central: Coagulopatia do trauma
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, no TCE grave, a hipotonicidade não é preferível: soluções hipotônicas favorecem edema cerebral e devem ser evitadas. Além disso, a redação mistura indevidamente 'soluções hipotônicas' com ringer lactato, o que torna a afirmação tecnicamente inadequada. O critério eliminatório é o princípio de neuroressuscitação de evitar hipotonicidade na lesão cerebral aguda.
B
Certa
A alternativa B está correta porque enumera mecanismos reais da coagulopatia associada ao trauma hemorrágico. No politraumatizado em choque, não há apenas perda sanguínea: ocorre também disfunção hemostática, com perda e consumo de fatores e plaquetas, ativação desregulada da coagulação, hiperfibrinólise e piora funcional da coagulação na presença de acidose e hipocalcemia. Esse conjunto corresponde ao fundamento biomédico consolidado da coagulopatia do trauma.
C
Errada
Está errada porque não existe recomendação universal de manter hemoglobina maior ou igual a 10 g/dL independentemente dos antecedentes mórbidos. A estratégia transfusional no trauma não se baseia em um alvo fixo para todos, mas no contexto clínico, incluindo situação hemodinâmica, sangramento, perfusão e comorbidades. O erro da alternativa é transformar um valor em regra obrigatória universal.
D
Errada
Está errada porque a hipotermia não deve ser mantida no choque hemorrágico do trauma; ela agrava a coagulopatia e piora o prognóstico. No trauma, a hipotermia compõe a tríade letal com acidose e coagulopatia, devendo ser prevenida e corrigida. Portanto, a proposta de mantê-la por suposta redução metabólica contraria o princípio básico da ressuscitação no politrauma hemorrágico.
Pegadinha da questão
A banca explora confusões clássicas: tratar coagulopatia do trauma como simples hemodiluição, aceitar o dogma antigo de hemoglobina 10 g/dL como meta universal, e transferir indevidamente para o trauma conceitos de hipotermia terapêutica ou de preferência por hipotonicidade no TCE.
Dica para questões semelhantes
  • Em trauma hemorrágico, pense na coagulopatia como fenômeno multifatorial: perda de fatores e plaquetas, desregulação hemostática, fibrinólise, acidose, hipotermia e hipocalcemia.
  • No TCE grave, descarte alternativas que proponham preferência por soluções hipotônicas, porque a hipotonicidade favorece edema cerebral.
  • Desconfie de metas universais de hemoglobina no politrauma; alvo transfusional fixo para todos costuma estar errado.
  • Se a alternativa tratar hipotermia como objetivo no choque hemorrágico, elimine-a: no trauma, ela piora a tríade letal.

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