Diz que um leão enorme ia andando, chateado, não
muito rei dos animais, porque tinha acabado de brigar
com a mulher e esta lhe dissera poucas e boas1. Ainda
com as palavras da mulher o aborrecendo, o leão subitamente se defrontou com um pequeno rato, o ratinho
mais menos que ele já tinha visto. Pisou-lhe a cauda e,
enquanto o rato forçava inutilmente para fugir, o leão
gritou: “Miserável criatura, estúpida, ínfima, vil, torpe:
não conheço na criação nada mais insignificante e
nojento. Vou te deixar com vida apenas para que você
possa sofrer toda a humilhação do que lhe disse, você,
desgraçado, inferior, mesquinho, rato!” E soltou-o. O
rato correu o mais que pôde, mas, quando já estava a
salvo, gritou pro leão: “Será que Vossa Excelência poderia escrever isso pra mim? Vou me encontrar agora
mesmo com uma lesma que eu conheço e quero repetir isso pra ela com as mesmas palavras!”2
Moral: afinal ninguém é tão inferior assim.
Submoral: nem tão superior, por falar nisso.
1 Quer dizer: muitas e más.
2 Na grande hora psicanalítica, que soa para todos nós, a precisão da
linguagem é fundamental.
(FERNANDES, Millôr. Fábulas Fabulosas. 11ed. Rio de Janeiro: Nórdica,
1985, p. 112.)
Segundo L. A. Marcuschi, é inerente à organização
interna dos gêneros textuais a inserção de sequências
tipológicas. Assim, tipos e gêneros não se opõem, mas
integram-se.
Assinale a alternativa que aponta as sequências tipológicas identificáveis nesta fábula (texto) na ordem em
que aparecem.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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