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Q2605207 Português
As três bonecas

        Ju morava numa rua tranquila com nome de heroína: Anita Garibaldi. Dali, das amigas da mãe, guarda boas lembranças: colos, cafunés, filhos, mimos, conselhos e broncas. Uma, ao ver Ju lavando alface como quem esfrega roupa, havia lhe ensinado a delicadeza das folhas. Outra, Marieta, lhe deixou uma lição. Numa visita, aproximou-se de Ju, que brincava de bonecas. E disse:
         – Tenho uma boneca pra você!
         Um forte desejo se acendeu na menina.
         – Grande, como um bebê! Cabelos claros e curtos. Enroladinhos.
         A menina sorriu. Mais tarde, folheando uma revista, adivinhou a boneca.
         – É assim! – disse, abraçada à revista.
       Deu-lhe o nome de Cecília. Chamaria as amigas, cada uma traria sua filha e fariam um lanche. Brincariam no jardim e ririam um bocado, até tarde. Cansadas, iriam cedo pra cama. Adormecer com Cecília seria melhor que mil mundos.
      Foi uma espera em vão. Ainda lidava com a frustração, quando a mulher retornou. A claridade, que vinha do corredor, marcava a comprida silhueta que entrou falando:
         – Tua boneca está lá guardada, esperando.
         “Esperando o quê?”.
         – Podia ter trazido. Comprei outra.
        “Agora são duas bonecas!”, empolgou-se.
         A mulher continuava:
        – É moreninha, bem escura, cabelos compridos, arrumados em trança até a cintura. “Seria cor de jabuticaba?” Ju amava. Imaginou a boneca. “Será de pano? Fofa? Tem pano que tem cheiro bom, fino e macio, gostoso de pegar. Tem pano que é mais duro e pinica… Carmela!” Agora, numa só festa, apresentaria Cecília e Carmela às amigas. Já as via juntas, duas irmãs, cada uma de uma cor.
       “Mas por que ela não trouxe logo as bonecas?”; “Vai ver que ela não sabia que ia passar aqui.”; “Vai ver que, outro dia, traz as duas.”; “Vai ver que…”; “vai ver…” Pensou durante a aula, em casa e antes de dormir.
     Sonhou com Cecília e Carmela. Andaram de roda gigante, tão alto… Tocando as nuvens, Ju pegou um pedaço e experimentou. Azeda demais! Torceu o nariz, as outras riram. Ao acordar, procurou as bonecas e não achou. Onde estavam? Embaixo da cama? Dentro do armário? Na gaveta? Ou na casa de Marieta? Será que ela entregou para depois sequestrá-las? Se ela ia tirar, pra quê iria dar? Além de tudo, era amiga da mãe, por que faria isso? Só se a mãe não soubesse quem era a verdadeira Marieta…
       Meses depois, ela chegou. A boneca não, Marieta! E falou pela terceira vez:
     – Tenho outra boneca pra você. Podia ter trazido.
    “Três? Sério?”
    Daqui a pouco, só um reboque pra tanta promessa. Ju não se deixou enrolar. Um dia, fantasiou com Anita. Com nome de guerreira, lutaria, salvaria todas do cativeiro. A essa altura, era o que pensava: cativeiro.
    Volta e meia, acontecia de sonhar com as três. Faziam estripulias, criavam brincadeiras e danças malucas e rolavam de rir. Um dia, Ju rolou pro chão mesmo. Doeu cotovelo, doeu bumbum, doeu tudo! Até a alma.
    O tempo passou, tanto e mais um tico. Ju cresceu e se mudou da Rua Anita Garibaldi. De Marieta, ficou a lição: heroína mesmo era a criança que sobrevivia a certos adultos…

(Crônicas da infância: lembranças, afetos e reflexões [livro eletrônico] / organização Rosana Rios, Flávia Côrtes, Severino Rodrigues; ilustração Sandra Ronca. 1. ed. São Paulo: Edições AEILIJ: RR Literatura, 2021. PDF. Vários autores.)
É certo que nomes próprios como os elencados ao longo do texto, embora também estejam sujeitos às normas de acentuação da língua portuguesa, podem delas destoar conforme seu registro cartorial. Considere, portanto, as afirmativas a seguir sobre as regras de acentuação quanto aos nomes selecionados do texto e assinale a afirmativa que corretamente dispõe a sequência de cada uma em relação à sua veracidade, de modo que V corresponda a uma afirmativa verdadeira e F, a uma afirmativa falsa.

( ) A grafia do nome Ju está incorreta, pois deveria levar acento agudo na letra “u”.
( ) A grafia do nome Cecília está correta, pois vocábulos terminados em ditongo oral átono são acentuados.
( ) A grafia do nome Marieta está incorreta, pois deveria levar acento circunflexo na letra “e”.

A sequência está correta em
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério é confrontar a tonicidade e a terminação dos nomes Ju, Cecília e Marieta com as regras de acentuação, sem presumir que toda vogal tônica receba sinal gráfico. Essa avaliação produz a sequência F, V, F, correspondente à alternativa D.

Tema central: Acentuação de nomes próprios
Análise das alternativas
A
Errada
A sequência V, V, V aceita indevidamente as correções propostas para Ju e Marieta. Ju não exige acento por ser monossílabo tônico terminado em u; Marieta não exige circunflexo por ser paroxítona terminada em a. Portanto, a primeira e a terceira afirmações são falsas.
B
Errada
A sequência F, F, F erra na segunda posição. Cecília, na divisão Ce-cí-lia, é paroxítona terminada em ditongo oral crescente átono, condição que justifica sua acentuação. A segunda afirmação é verdadeira.
C
Errada
A sequência V, F, V inverte os três julgamentos: exige acentos indevidos em Ju e Marieta e rejeita a justificativa válida para Cecília, paroxítona terminada em ditongo oral átono.
D
Certa
A alternativa D aplica corretamente as regras de tonicidade e terminação. Em Ju, a vogal tônica u não exige acento gráfico. Em Ce-cí-lia, o acento se justifica pela regra das paroxítonas terminadas em ditongo oral átono; é nesse âmbito que se entende a formulação abreviada da segunda afirmativa. Em Ma-ri-e-ta, a tonicidade em e não exige circunflexo: trata-se de paroxítona terminada em a, e eventual timbre fechado não altera essa regra.
Pegadinha da questão
É preciso julgar as afirmações, não apenas verificar as grafias: embora os três nomes estejam corretamente escritos, duas afirmações propõem correções indevidas. Além disso, em Cecília, átono caracteriza o ditongo final, não a palavra inteira.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a sílaba tônica e a terminação antes de decidir se há exigência de acento: tonicidade não implica, por si só, acentuação gráfica.
  • Em sequências de verdadeiro ou falso, avalie separadamente a grafia apresentada e a justificativa ou correção proposta.
  • Ao analisar uma paroxítona terminada em ditongo oral átono, observe que a ausência de tonicidade se refere ao ditongo final.
  • Não use a possibilidade de registro cartorial particular para dispensar o exame das regras de acentuação solicitado pela questão.

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Comentários

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- Marieta NÃO leva acento circunflexo. É uma palavra PAROXÍTONA

- A palavra JU NÃO leva acento agudo

ditongo oral átono? nao seria apenas oi, ei e etc? fui pensando que estava errada pois não mencionou "paroxítona terminada em ditongo crescente" Ce-cí-lia. '_'

ditongo átono ?

A segunda afirmativa é verdadeira: "Cecília" está corretamente acentuada, pois vocábulos que possuem ditongo oral crescente (como "lia") são acentuados.

  1. A grafia do nome Ju está incorreta, pois deveria levar acento agudo na letra “u”.
  • Falso (F). O nome "Ju" não leva acento agudo porque, segundo as regras de acentuação, nomes próprios que são monosílabos tônicos terminados em "u" não precisam de acento. Além disso, "Ju" é um nome com uma vogal única e não segue a regra dos ditongos.
  1. A grafia do nome Cecília está correta, pois vocábulos terminados em ditongo oral átono são acentuados.
  • Verdadeiro (V). O nome "Cecília" está correto. De acordo com as regras de acentuação, os nomes terminados em ditongo oral átono, como "Cecília", são acentuados com um acento agudo na última vogal do ditongo. O nome está corretamente acentuado.
  1. A grafia do nome Marieta está incorreta, pois deveria levar acento circunflexo na letra “e”.
  • Falso (F). O nome "Marieta" está correto. De acordo com as regras de acentuação, a letra “e” em "Marieta" não leva acento circunflexo, pois não se trata de um ditongo fechado ou uma vogal tônica que se encaixa nas regras para o uso do acento circunflexo. A palavra "Marieta" segue as regras para nomes próprios.

Sequência correta das afirmativas: F, V, F.

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