No fragmento Através deles damos saltos que nos colocam cad...

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Q4040529 Português

Vale a pena competir tanto?


O progresso e resultado do esforço coletivo. Na inercia, nada se cria. É preciso determinar-se a fazer algo, ernper-rhando vasta energia com finalidades definidas. Assim caminha a humanidade. É uma ideia cara aos positivistas, por lerem a realidade como uma eterna luta para ultrapassar o que nos satisfaz hoje. Sem isso, convenhamos, as maiores conquistas ficariam apenas no papel, mero plano teorico acalentado por seres empenhados em transformar o seu entorno. Mas, devagar com o andor.


Considero-me herdeiro do iluminismo, empenhado em questionar as crenÇas, substituindo-as pela razão. Admiro a ciência, a medicina e, em boa medida, o mundo virtual. Atraves deles damos saltos que nos colocam cada vez mais na dianteira, em busca de melhor qualidade de vida. Porem, analisando certos comportamentos obsessivos, acredito estarmos errando na dose. Tenho muitos amigos empreendedores e os vejo em estado permanente de cansaço. Participam de maratonas diárias, precisando provar a si (e aos demais) terem se superado. Esta palavra tem nos afastado da serenidade, como os grandes sábios a entendem.


É um projeto tentador, reconheço. O ego é alimentado, a vaidade agradece e a ansiedade também. Um Rivotril mascara a situação e, afinal, amanhã será outro dia. Não paramos. Para ilustrar, trago o exemplo de um empresário que me contou ter criado a "Sala da descompressão". Quando algum funcionário, ou ele mesmo, se percebem no limite, param tudo, vão até o local acusticamente isolado e gritam para aliviar a tensão. O reduto é bastante Írequentado, disse-me. Provavelmente eu seria um candidato, se estivesse neste universo de demandas sem fim. Aqui, do lado de cá, ponho-me a refletir sobre a necessidade de estabelecer freios na ambição. 


Gastamos bons anos fazendo pouquíssimo investimento em nós. Perda de tempo, dirão os comprometidos em aumentar o seu capital. Convém dedicar-se a aplicações de ordem financeira. Mas é difícil ignorar o preço a se pagar por essas escolhas. Tem-se a impressão de ser desnecessário criar novos combates a toda hora. No entanto, precisamos nos debruçar sobre o obvio, o que está sob os olhos e deixamos de ver.


O primeiro passo é a mudança de pensamento. Depois, mãos à obra.


Continuo otimista e vejo ótimas possibilidades no horizonte. Viver como se fôssemos eternos, postergando o desejado descanso, e uma escolha ruim. Alguns movimentos tomam vulto, consequência de uma lúcida avaliação de para onde nos direcionamos. Ninguém sugere uma parada total, só a desaceleração. Se a fome e a sede já estão saciadas, sentemo-nos sob a sombra de uma árvore. Você se proporia a isso? 


Adaptado de. hfips./ / gauchazh.clicrbs.com.brlpionei rolcolu n istas/g i lmar' marci I iolnoticia / 2026 /03 /v ale-a- pena - competir'tanto - cmmp4e7vn02cA01 3dwjzfk5d8 html

No fragmento Através deles damos saltos que nos colocam cada vez mais na dianteira, ocorrem importantes relações morfossintáticas. Com base nisso, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: No fragmento "Através deles damos saltos que nos colocam cada vez mais na dianteira", a regra decisiva é a análise da oração relativa: "que" retoma "saltos" e, nela, o pronome oblíquo "nos" exerce a função de objeto direto de "colocam". Isso sustenta o gabarito E.

Tema central: função sintática pronominal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque "deles" não retoma exclusivamente "iluminismo". O referente expresso no texto é o conjunto plural imediatamente anterior: "a ciência, a medicina e, em boa medida, o mundo virtual". A coesão referencial e o plural de "deles" afastam a retomada exclusiva de "iluminismo".
B
Errada
Está errada porque "que" não é conjunção integrante. No fragmento, ele retoma o antecedente "saltos" e introduz a oração "que nos colocam cada vez mais na dianteira", que caracteriza esse antecedente. Portanto, trata-se de pronome relativo em oração subordinada adjetiva restritiva, não de oração substantiva.
C
Errada
Está errada porque "cada vez mais" não exprime tempo pontual nem marca fim do avanço. A locução tem valor adverbial de progressão intensificadora/gradativa: indica avanço crescente no movimento de estar "na dianteira".
D
Errada
Está errada porque "dianteira" não é verbo flexionado. No trecho, ela integra a expressão "na dianteira" e funciona como núcleo nominal dessa construção preposicionada. A alternativa troca o sentido lexical de liderança pela classe gramatical do termo, que não é verbal.
E
Certa
A alternativa E está correta porque, no trecho citado, "nos" é o complemento direto do verbo "colocam" e indica quem é colocado na dianteira. Assim, o pronome recebe diretamente a ação verbal no interior da oração "que nos colocam cada vez mais na dianteira".
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar qualquer "que" como conjunção e hesitar sobre a função de "nos" por causa da presença de "na dianteira". No fragmento, porém, "que" é pronome relativo e "nos" continua sendo objeto direto de "colocam".
Dica para questões semelhantes
  • Quando aparecer "que", verifique primeiro se ele retoma um termo anterior; se retoma, a chance é de ser pronome relativo, não conjunção integrante.
  • Em análise sintática, identifique o verbo e pergunte quem recebe diretamente a ação; no trecho, os saltos "nos colocam", então "nos" é complemento verbal direto.
  • Para achar o referente de um pronome, priorize o antecedente expresso mais próximo e compatível em número e sentido.
  • Não confunda valor semântico da expressão com classe gramatical: "na dianteira" pode indicar posição de liderança sem transformar "dianteira" em verbo.

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