A argumentação traça um paralelo entre o avanço humano e o ...

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Q4040526 Português

Vale a pena competir tanto?


O progresso e resultado do esforço coletivo. Na inercia, nada se cria. É preciso determinar-se a fazer algo, ernper-rhando vasta energia com finalidades definidas. Assim caminha a humanidade. É uma ideia cara aos positivistas, por lerem a realidade como uma eterna luta para ultrapassar o que nos satisfaz hoje. Sem isso, convenhamos, as maiores conquistas ficariam apenas no papel, mero plano teorico acalentado por seres empenhados em transformar o seu entorno. Mas, devagar com o andor.


Considero-me herdeiro do iluminismo, empenhado em questionar as crenÇas, substituindo-as pela razão. Admiro a ciência, a medicina e, em boa medida, o mundo virtual. Atraves deles damos saltos que nos colocam cada vez mais na dianteira, em busca de melhor qualidade de vida. Porem, analisando certos comportamentos obsessivos, acredito estarmos errando na dose. Tenho muitos amigos empreendedores e os vejo em estado permanente de cansaço. Participam de maratonas diárias, precisando provar a si (e aos demais) terem se superado. Esta palavra tem nos afastado da serenidade, como os grandes sábios a entendem.


É um projeto tentador, reconheço. O ego é alimentado, a vaidade agradece e a ansiedade também. Um Rivotril mascara a situação e, afinal, amanhã será outro dia. Não paramos. Para ilustrar, trago o exemplo de um empresário que me contou ter criado a "Sala da descompressão". Quando algum funcionário, ou ele mesmo, se percebem no limite, param tudo, vão até o local acusticamente isolado e gritam para aliviar a tensão. O reduto é bastante Írequentado, disse-me. Provavelmente eu seria um candidato, se estivesse neste universo de demandas sem fim. Aqui, do lado de cá, ponho-me a refletir sobre a necessidade de estabelecer freios na ambição. 


Gastamos bons anos fazendo pouquíssimo investimento em nós. Perda de tempo, dirão os comprometidos em aumentar o seu capital. Convém dedicar-se a aplicações de ordem financeira. Mas é difícil ignorar o preço a se pagar por essas escolhas. Tem-se a impressão de ser desnecessário criar novos combates a toda hora. No entanto, precisamos nos debruçar sobre o obvio, o que está sob os olhos e deixamos de ver.


O primeiro passo é a mudança de pensamento. Depois, mãos à obra.


Continuo otimista e vejo ótimas possibilidades no horizonte. Viver como se fôssemos eternos, postergando o desejado descanso, e uma escolha ruim. Alguns movimentos tomam vulto, consequência de uma lúcida avaliação de para onde nos direcionamos. Ninguém sugere uma parada total, só a desaceleração. Se a fome e a sede já estão saciadas, sentemo-nos sob a sombra de uma árvore. Você se proporia a isso? 


Adaptado de. hfips./ / gauchazh.clicrbs.com.brlpionei rolcolu n istas/g i lmar' marci I iolnoticia / 2026 /03 /v ale-a- pena - competir'tanto - cmmp4e7vn02cA01 3dwjzfk5d8 html

A argumentação traça um paralelo entre o avanço humano e o esgotamento. Analise as assertivas abaixo sobre o trecho Mas, devagar com o andor: 


I. A expressão atua de forma coloquial para introduzir uma ressalva à ideia de busca incessante para "ultrapassar o que nos satisfaz hoje".

II. A conjunção inicial exprime uma relação de adição, somando o "esforço coletivo" ao "plano teórico" mencionado nos períodos anteriores.

III. O fragmento marca uma mudança no fluxo do texto, indicando que o autor passará a questionar o excesso dessa energia empenhada.


Está CORRETO o que se afirma em:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em "Mas, devagar com o andor.", o ponto decisivo é o valor discursivo do conector e da expressão idiomática no fluxo argumentativo: "mas" introduz ressalva/oposição, não adição, e "devagar com o andor" funciona como freio coloquial ao elogio anterior da superação contínua; por isso, o trecho confirma a assertiva I, anuncia a inflexão que sustenta a III e torna a II incompatível com o texto.

Tema central: progressão argumentativa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque reconhece apenas a I, mas a III também está correta. O fragmento não funciona só como comentário coloquial: ele marca mudança de direção argumentativa, depois confirmada pela crítica ao excesso, ao cansaço e à necessidade de freios na ambição.
B
Errada
Está errada porque a II é incompatível com o valor semântico-discursivo de "mas". No trecho, a conjunção não soma "esforço coletivo" e "plano teórico"; ela introduz contraste/ressalva em relação ao elogio anterior do progresso. Além disso, I e III são sustentadas pelo texto.
C
Errada
Está errada porque inclui a II. O problema específico dessa assertiva é ler "mas" como operador aditivo, quando ele atua como freio argumentativo. "Mas, devagar com o andor." não prolonga a mesma linha de elogio; relativiza essa linha e prepara a crítica ao excesso.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne exatamente as assertivas sustentadas pelo texto. A I procede, já que a expressão tem uso coloquial e introduz uma ressalva à ideia de "uma eterna luta para ultrapassar o que nos satisfaz hoje". A III também procede, porque essa frase breve marca a virada do texto: depois dela, o autor passa a problematizar o excesso, como se confirma em "Porem, analisando certos comportamentos obsessivos, acredito estarmos errando na dose.". A II fica excluída porque atribui ao "mas" valor de adição, quando o trecho exerce função adversativa/ressalvadora.
E
Errada
Está errada porque valida a II, e essa leitura não é autorizada pelo texto. A expressão em análise não estabelece adição entre ideias anteriores; estabelece ressalva e mudança de orientação argumentativa.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre continuidade temática e relação lógica: o tema continua sendo o avanço humano, mas o trecho "Mas, devagar com o andor." muda a direção argumentativa, porque "mas" não adiciona; contrapõe e ressalva.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão destacar conectivo no início de frase, verifique a relação lógica exata que ele cria no texto, e não apenas a continuidade do assunto.
  • Em expressões idiomáticas coloquiais, observe o efeito discursivo no argumento; aqui, o sentido é de moderação e cautela, não literalidade.
  • Confirme a função do trecho pelo que vem depois dele: se o texto passa a falar em obsessão, cansaço e freios, houve inflexão argumentativa.

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