Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, identifiqu...
“A Pré-história, ao ser abordada pelos livros didáticos, em geral é tratada como a antessala da História, sua introdução, e não como parte dela. Isso se deve a seu próprio conceito e a como ele é interpretado normalmente, pois a Pré-história é definida como o campo de estudos do passado mais remoto da humanidade, desde seu surgimento até o aparecimento da escrita. Mais especificamente, até o surgimento da escrita no Egito e na Mesopotâmia, cerca de 3000 a 2000 a.C”.
(Dicionário de conceitos históricos / Kalina Vanderlei Silva, Maciel Henrique Silva. São Paulo : Contexto, 2009, p.343)
I. Esse conceito, elaborado no século XIX, tem, no entanto, sérios problemas. Um deles é o fato de que a escrita não surgiu em todos os lugares ao mesmo tempo, o que torna essa divisão temporal bastante arbitrária.
II. Outro problema é o etnocentrismo resultante do ato de considerar apenas a escrita, um elemento cultural restrito a determinadas culturas, como o fator determinante de quem se situa na história e de quem se situa fora dela.
III. A ideia de que as sociedades ágrafas, ou seja, sociedades sem escrita, não teriam história nasceu com a vertente positivista da historiografia ocidental no século XIX, que enfatizava, sobretudo, a importância do documento escrito na produção de conhecimento.
IV. Pré-história, no entanto, não é apenas uma periodização da História. Ela se tornou, durante o decorrer do século XX, uma disciplina histórica com metodologia própria, definida muitas vezes como ciência autônoma.
A sequência correta é:
Gabarito comentado
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Gabarito: C — Todas as assertivas I, II, III e IV estão corretas.
Tema central: a concepção de Pré‑história e seus problemas metodológicos e epistemológicos: periodização pela escrita, o etnocentrismo associado e a consolidação da Pré‑história/arqueologia como disciplina científica.
Resumo teórico: A divisão História/Pré‑história baseada no surgimento da escrita (c. 3000–2000 a.C. em Mesopotâmia e Egito) é histórica e funcional, mas problemática. No século XIX, o positivismo valorizou fortemente documentos escritos como fontes privilegiadas, levando à ideia equivocada de que sociedades sem escrita “não teriam história”. No século XX, a Pré‑história/arqueologia desenvolveu metodologias próprias (escavação, datação, análise de artefatos, paleoambiental), tornando‑se disciplina histórica autônoma.
Justificativa das assertivas corretas:
I — Correta. A escrita aparece em momentos distintos nas várias regiões; portanto, usar seu surgimento como fronteira universal é arbitrário (ex.: América e Oceania desenvolveram escrita muito depois).
II — Correta. Considerar apenas culturas com escrita como “históricas” é etnocêntrico: invisibiliza tradições orais e formas de memória social.
III — Correta. A visão de que sem escrita não há história é herdeira do positivismo do século XIX, que privilegiou o documento escrito como fonte legítima.
IV — Correta. Ao longo do século XX, Pré‑história e arqueologia estabeleceram métodos próprios e passaram a integrar a produção histórica de forma autônoma.
Por que as demais alternativas são inadequadas:
A e D subestimam a validade das declarações II e IV (no caso de A) ou II e IV (no caso de D), portanto incorretas. B exclui I, que é factual e central à crítica da periodização.
Estratégia para provas: busque palavras-chave (escrita, positivismo, etnocentrismo, disciplina autônoma). Se várias afirmações dialogam com tendências historiográficas reconhecidas (positivismo, desenvolvimento da arqueologia), há forte chance de todas estarem corretas.
Fontes rápidas: textos de historiografia e dicionários de conceitos históricos (ex.: Kalina Vanderlei Silva) e obras sobre método arqueológico e crítica ao positivismo.
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