Considerando o fragmento retirado do texto “Não importam a s...

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Q2609917 Português

Não é justo só chamar de viúvo ou viúva o atual parceiro no momento da partida


Por Fabrício Carpinejar


  1. A morte atin...e toda uma vida.
  2. Se morre quem foi sua ex-esposa ou ex-marido, você será também viúvo ou viúva, mesmo
  3. que não estivessem juntos há muito tempo.
  4. A nomenclatura tradicional é só chamar de viúvo ou viúva o atual parceiro no momento
  5. da partida, o que não é justo.
  6. O fim abole o corpo da cronolo...ia, resgata o espírito das lembranças.
  7. A viuvez não é exclusiva ao estado civil de uma fase da existência, mas envolve as fases
  8. e idades pregre...as.
  9. Não morre unicamente a versão final da pessoa, acontece a despedida de suas diferentes
  10. versões, do passado por completo.
  11. Se _______ cinco casamentos, haverá cinco viúvos ou viúvas. E nenhum é mais ou menos
  12. legítimo do que o outro. Nenhum é mais ou menos valioso do que o outro. As lágrimas não
  13. _______ hierarquia.
  14. Não importam a separação, as brigas, as desavenças, o papel do divórcio diante do bem
  15. inviolável da cumplicidade.
  16. É um choque receber a notícia de adeus de um antigo amor.
  17. Você desmoronará em segundos. Arcará com uma tremedeira das mãos, um baque, um
  18. desconforto, um desespero, como se tivesse dormido ao lado daquela companhia no dia. Como
  19. se tivesse tomado o café da manhã com ela. Como se tivesse recém tocado em seu rosto ausente.
  20. Perderá o ar, o chão, as palavras.
  21. Maior do que a intimidade da paixão que já existiu na convivência é a intimidade da dor
  22. que agora bate a sua porta. Para a dor, não existe ontem.
  23. Demorará para a notícia soar convincente. Você não achará possível, acreditará que é uma
  24. mentira.
  25. Vai doer o futuro abreviado, o que o ente querido não teve chance de viver.
  26. Este é o mais decisivo ponto de virada emocional: você deixa de ser egoísta, de pensar
  27. em si. Não é um arrependimento pelo término da relação, mas um pesar generoso pelo término
  28. de uma vida.
  29. Não significa que continua amando o ex, que reprimiu o seu querer por longo período,
  30. significa que reconhece o quanto ele se mostrou decisivo em sua evolução.
  31. O sofrimento do luto será igual dentro ou fora do casamento. As memórias mais remotas
  32. voltarão à tona: as gargalhadas, as canções, as viagens, as festas, a amizade.
  33. Tudo o que foi ruim desaparecerá, restando apenas a gratidão. Sentirá uma estranha e
  34. extraordinária comoção pela história em comum.
  35. Você se perceberá como uma peça de um desafiador puzzle. E qualquer peça é importante.
  36. Até porque, na hora de montar o quebra-cabeça, aconselha-se começar pelas bordas.
  37. Você é uma das pontas da imagem, fez parte de um sonho. Não se encontra no centro
  38. dos acontecimentos, na cabeceira do velório, segurando a alça do caixão, não se vê como
  39. protagonista da perda, mas está ali, presente no início difícil, nas primeiras descobertas da
  40. silhueta, na composição das cores e de padrões, possibilitando o encaixe do conjunto e a
  41. formação da saudade.


(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/04/nao-e-justo-so-chamar-de-viuvo-ou-viuva-o-atual-parceiro-no-momento-da-partida – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento retirado do texto “Não importam a separação, as brigas, as desavenças, o papel do divórcio diante do bem inviolável da cumplicidade”, pelo trecho sublinhado, infere-se predominantemente que a cumplicidade:

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto, com ênfase em inferência (compreensão de informações implícitas) e sentido conotativo das expressões.

O fragmento analisado traz a expressão “bem inviolável da cumplicidade”, sugerindo que, mesmo diante de separação ou divórcio, a cumplicidade entre pessoas que tiveram uma história em comum permanece como um valor preservado. Em termos interpretativos, devemos ir além do sentido literal da palavra "inviolável" e perceber a carga conotativa: algo que não pode ser quebrado facilmente, demonstrando resistência a conflitos ou mudanças de estado civil.

Justificativa da alternativa correta:

C) “É um valor intocável que persiste apesar das dificuldades.”

A alternativa traduz exatamente a ideia transmitida pelo autor. Pela norma-padrão e autores como Ingedore Koch, interpretações que dependem de inferência exigem o reconhecimento do sentido mais amplo do trecho, não apenas seu significado literal. “Inviolável” é aquilo que não se pode violar, corromper ou destruir; logo, a cumplicidade permanece mesmo diante de brigas e separações.

Análise das alternativas incorretas:

A) “É facilmente quebrada por desavenças e brigas.”
Erro: O texto afirma o oposto, pois ressalta a resistência da cumplicidade mesmo nas dificuldades.

B) “É secundária em comparação com a separação e o divórcio.”
Erro: Ao chamar a cumplicidade de “bem inviolável”, o texto a posiciona como algo mais valioso, e não “secundário”.

D) “Só é relevante durante o casamento.”
Erro: O texto diz que, mesmo após o fim do casamento, a cumplicidade continua existindo para ambos os ex-parceiros.

E) “É uma ilusão que não se sustenta ao longo do tempo.”
Erro: Não há no texto qualquer indicação de que a cumplicidade seja ilusória ou frágil.

Dica para provas: Atenção ao sentido conotativo e palavras de valor absoluto, como “inviolável”. Procure sempre relacionar o termo-chave à mensagem total do trecho. Cuidado com alternativas que trazem generalizações ou distorçam o sentido central!

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Comentários

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C

O trecho sugere que a cumplicidade é um aspecto importante que se mantém, mesmo diante de separações e conflitos.

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