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Q3454880 Biomedicina - Análises Clínicas
Um biomédico analisa o hemograma de uma paciente de 32 anos, com queixa de fadiga crônica e palidez. Os principais dados laboratoriais são: Hemoglobina: 9,2 g/dL (VR: 12,0– 15,5); Hematócrito: 28,5% (VR: 36–46); VCM: 72 fL (VR: 80–100); HCM: 22 pg (VR: 27–33); RDW: aumentado; Leucócitos e plaquetas: dentro dos valores de referência. Com base nesse cenário clínico-laboratorial, avalie as assertivas a seguir:

I - A presença de microcitose e hipocromia com RDW aumentado é sugestiva de anemia ferropriva.
II - A contagem de leucócitos e plaquetas normais exclui qualquer possibilidade de distúrbio hematológico significativo.
III - A dosagem de ferritina sérica é útil para confirmar a hipótese diagnóstica inicial.
IV - O achado de VCM diminuído com HCM normal sugere anemia por deficiência de vitamina B12.
V - A anemia pode estar relacionada a perdas crônicas ou aumento da demanda de ferro.

Assinale a alternativa que apresenta apenas as assertivas corretas:
Alternativas

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Tema central: Anemia microcítica e hipocrômica com RDW aumentado, quadro típico de anemia ferropriva em mulher jovem com fadiga e palidez. Os índices hematimétricos direcionam o diagnóstico e a ferritina é o exame confirmatório inicial.

Gabarito: E (assertivas I, III e V)

I – Verdadeira. VCM baixo (microcitose), HCM baixo (hipocromia) e RDW aumentado sugerem anemia por deficiência de ferro. Dica de prova: em talassemia menor geralmente o RDW é normal e a contagem de hemácias é normal/alta; na ferropriva, RDW costuma estar elevado e a contagem de hemácias tende a ser baixa/normal-baixa. Referências: Harrison’s, UpToDate.

III – Verdadeira. A ferritina sérica é o melhor teste inicial para confirmar anemia ferropriva: ferritina baixa confirma deficiência de ferro. Atenção: por ser reagente de fase aguda, pode estar normal/alta na inflamação; nesse cenário, avalie saturação de transferrina (<15–20%) e CTLF elevado, além de PCR. Diretrizes: OMS/WHO, UpToDate.

V – Verdadeira. Causas típicas: perdas crônicas (menorragia, perdas GI ocultas) e aumento da demanda (gestação, lactação), além de ingestão inadequada e má absorção (ex.: doença celíaca). Harrison’s.

Por que as demais assertivas estão incorretas?

II – Falsa. Leucócitos e plaquetas normais não excluem distúrbio hematológico. A anemia ferropriva é, por si, um distúrbio hematológico significativo e frequentemente cursa com leucócitos/plaquetas normais (plaquetose pode ocorrer). Logo, essa normalidade não afasta a anemia. Harrison’s.

IV – Falsa. Deficiência de vitamina B12 causa anemia macrocítica (VCM alto) com possíveis neutrófilos hipersegmentados. VCM diminuído com HCM “normal” não sugere B12; no contexto apresentado, HCM está reduzida, reforçando a hipótese ferropênica. UpToDate.

Estratégia de interpretação em provas: 1) Identifique o padrão do VCM/HCM; 2) Observe o RDW (alto favorece ferropriva); 3) Considere causas (perdas/gestação); 4) Peça ferritina e, se inflamação, saturação de transferrina e CTLF; 5) Hematoscopia: anisopoquilocitose, microcitose e hipocromia são típicas.

Conduta prática (resumo): Ferro VO (40–65 mg de ferro elementar/dia, podendo usar esquema em dias alternados para melhor absorção), controle de reticulócitos em 7–10 dias e investigação da causa base (sangramento uterino/GI). Diretrizes OMS/UpToDate.

Referências-chave: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Evaluation of microcytosis; Iron deficiency anemia); Diretrizes OMS para deficiência de ferro.

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