Durante uma triagem ambulatorial, um paciente apresenta os s...
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação do EAS focada em infecção do trato urinário (ITU) e acometimento renal. O conjunto “nitrito positivo + leucócitos numerosos + bacteriúria” configura forte evidência de ITU por enterobactérias. A presença de cilindros sugere envolvimento do parênquima renal, apontando para pielonefrite (infecção alta), portanto um quadro complicado.
Alternativa correta: E — Infecção do trato urinário complicada, possivelmente pielonefrite.
Justificativa clínica: Nitrito positivo indica redução de nitrato por bacilos Gram-negativos (ex.: E. coli). Leucocitúria e bacteriúria corroboram infecção. Cilindros no sedimento (mesmo granulosos) denotam origem renal do processo, compatível com pielonefrite; na ITU baixa não se esperam cilindros. Proteinúria moderada (2+) pode decorrer de inflamação tubular. Densidade elevada sugere urina concentrada, comum em febre/desidratação associadas à ITU. pH ácido não afasta o diagnóstico. Diretrizes (IDSA/UpToDate; Harrison’s) apontam que piúria + nitrito/bacteriúria + cilindros indica infecção alta.
Por que as demais estão incorretas?
A) Síndrome nefrótica inicial: Espera-se proteinúria maciça (≥3+/4+), lipidúria/corpos graxos, e sedimento “inativo”. Aqui há marcadores infecciosos (nitrito, bacteriúria, leucocitúria), incompatíveis com perda proteica isolada.
B) Nefropatia hipertensiva sem infecção: Sedimento costuma ser pobre (hialinos), com proteinúria discreta. A presença de bactérias, nitrito positivo e leucócitos numerosos contraria essa hipótese.
C) Hiperglicemia com glicosúria compensatória: Seriam esperadas glicosúria e, muitas vezes, cetona — ambas ausentes. Além disso, há sinais claros de infecção, não explicados pela hiperglicemia.
D) Desidratação com cetoacidose diabética (CAD): CAD cursa com glicosúria+, cetonúria+ e acidose; aqui glicose e cetonas estão ausentes. A positividade de nitrito/leucócitos direciona para ITU, não para CAD.
Diagnóstico e conduta recomendada
- Confirmar com urocultura e antibiograma (IDSA/UpToDate). Hemograma, PCR e função renal são úteis.
- Em pielonefrite/ITU complicada: considerar imagem (USG/TC) se dor lombar intensa, sepse, obstrução, litíase ou falha terapêutica.
- Tratamento empírico (ajustar ao perfil local): ceftriaxona IV inicial e transição para fluoroquinolona oral se suscetível; alternativas incluem TMP-SMX ou beta-lactâmicos orais adequados. Evitar nitrofurantoína/fosfomicina em pielonefrite por baixa penetração renal (IDSA 2011/atualizações; UpToDate; Harrison’s).
Estratégia para a prova: Identifique a “tríade” (nitrito+, leucócitos+, bacteriúria) e procure cilindros para diferenciar ITU baixa de pielonefrite. Armadilha: não confundir proteinúria 2+ ou alta densidade com síndrome nefrótica ou CAD sem checar o conjunto global.
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