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Q2978453 Medicina Legal

Com relação às lesões por projetis de arma de fogo, assinale a alternativa correta.

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Tema central: Lesões por projéteis de arma de fogo (PAF) e seus sinais característicos para estimar distância do disparo e diferenciar orifícios de entrada/saída. Conceitos-chave: esfumaçamento (depósito de fuligem/soot), tatuagem (impregnação de grânulos de pólvora na pele), bordos (invertidos/evertidos) e biselamento ósseo (“sinal do funil”).

Gabarito: B

Justificativa da alternativa correta (B): Em distância intermediária, é comum haver tatuagem sem esfumaçamento, pois partículas de pólvora não queimadas alcançam a pele e se incrustam, enquanto a fuligem (mais leve) não chega tão longe. Já esfumaçamento sem tatuagem é menos frequente e típico de disparos muito próximos com munição que gera pouco grão não queimado — situação menos comum. Essa relação é clássica em medicina legal (França; DiMaio; Simpson).

Análise das alternativas incorretas:

A) “Ausência de tatuagem ou esfumaçamento exclui curta distância.” Falso. A ausência desses sinais não exclui curta distância se houver interposição (roupa grossa, objeto) ou disparo intracavitário (ex.: intraoral), que retém resíduos. O padrão também varia com tipo de pólvora/arma. Conclusão: não é critério absoluto.

C) “Sinal do funil na calvária indica entrada.” Falso como regra geral. No osso, o biselamento indica direção: entrada apresenta bisel interno (orifício mais largo na tábua interna); saída mostra bisel externo. Dizer apenas “há sinal do funil, logo é entrada” é incorreto; é preciso identificar onde está o bisel (interno vs externo).

D) “Bordos evertidos indicam saída.” Generalização perigosa. Embora frequentemente saídas tenham eversão e entradas inversão, há exceções: exit shored (bordo apoiado por roupa/superfície) pode simular entrada com anel de escoriação; entradas em contato podem ter bordos irregulares/evertidos pela ação dos gases. Logo, não é critério absoluto.

E) “Em projéteis transfixantes, nº de disparos = metade dos orifícios.” Inadequado. Contar buracos não determina nº de disparos: um único projétil pode produzir múltiplas saídas por fragmentação ou efeito chave (keyhole); pode haver reentrada no corpo, orifícios tangenciais e orifícios confluentes. A conclusão exige correlação de trajetórias, radiologia, resíduos e achados de necropsia (DiMaio; França).

Dicas para prova: Desconfie de termos absolutos (“exclui”, “indicam”). Associe: tatuagem = partículas sólidas, maior alcance que fuligem; bisel interno = entrada; bisel externo = saída. Sempre considere roupa/intermediários e tipo de munição.

Referências essenciais: França GV. Medicina Legal; DiMaio VJM. Gunshot Wounds; Simpson’s Forensic Medicine; UpToDate: Evaluation of gunshot wounds (acesso 2024).

Conclusão: A alternativa B é a correta por refletir a dinâmica físico-forense dos resíduos de disparo, enquanto as demais incorrem em generalizações ou interpretações incompletas.

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Comentários

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GABARITO B

Gente, é mais comum encontrar tatuagem sem esfumaçamento do que o contrário, principalmente porque a tatuagem pode ocorrer a uma distância curta mas não tão próxima a ponto de produzir esfumaçamento. O esfumaçamento é característico de disparos a distâncias muito próximas e é menos frequente, o que pode resultar em menos casos onde apenas o esfumaçamento é encontrado sem tatuagem.

Mas por que que a D está errada?

Orifício de saída:

a) Dilacerado;

b) Bordas evertidas;

c) Desproporcional ao projétil; e

d) Sem orlas e zonas. 

Por qual razão a letra "D" está incorreta?

errei também, mas parando pra pensar acho que é por conta da câmara de mina de Hoffman que, apesar de ser lesão de entrada, apresenta borda evertida.

logo, nem sempre é possível afirmar que uma borda evertida é lesão de saída.

também me pergunto por que a " D " está errada.

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