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Com relação ao caso clínico descrito, julgue o item a seguir.
O paciente apresenta sinais de choque hemorrágico, porém
não está indicada reposição imediata de hemoderivados.
Gabarito comentado
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Tema central: O caso aborda o choque hemorrágico no trauma penetrante abdominal e a conduta inicial quanto à reposição volêmica e uso de hemoderivados.
Análise clínica: O paciente apresenta taquicardia (133 bpm), hipotensão acentuada (82×40 mmHg), taquipneia (33 irpm) e agitação psicomotora—sinais clássicos de choque hipovolêmico por provável hemorragia.
Justificativa para a alternativa correta (“Certo”): O manejo inicial do choque hemorrágico contemporâneo segue o conceito de hipotensão permissiva. Segundo as Recomendações do novo guideline europeu para hemorragia grave no trauma, “deve-se realizar reposição volêmica objetivando a meta de PAS: 80-90 mmHg até controle do sangramento na ausência de evidências de lesões cerebrais”.
O que isso significa? Iniciar reposição com cristaloides isotônicos, sem elevação abrupta da pressão, reduz perda sanguínea adicional. Transfusão de hemoderivados está reservada para perdas superiores a 30-40% do volume sanguíneo ou refratariedade ao manejo inicial. Hemoderivados também são indicados diante de alteração laboratorial (queda de hemoglobina importante) ou instabilidade hemodinâmica persistente.
No caso, ainda não há evidências de necessidade imediata de hemoderivados. Por isso, marcar “Certo” está de acordo com as diretrizes.
Por que a alternativa “Errado” não se aplica? Marcar “Errado” pressuporia indicar transfusão imediata. Isso pode agravar a hemorragia (diluição de fatores de coagulação, aumento do sangramento), contrariando protocolos atuais, conforme destaca o artigo “Choque hemorrágico e trauma: breve revisão e recomendações para manejo do sangramento e da coagulopatia”: “Recomenda-se uma estratégia de reposição volêmica restritiva para alcançar os alvos pressóricos até que o sangramento possa ser controlado.”
Estratégias para prova: Fique atento aos comandos que envolvem “imediatamente”, “necessária” ou “deve ser feito sem avaliação inicial”. O ponto-chave é levar em conta as fases do manejo do trauma e sempre associar conduta à estabilidade hemodinâmica e avaliações subsidiárias (laboratoriais, monitorização clínica contínua).
Resumo final: Como reforçam as principais diretrizes internacionais, a reposição inicial deve ser criteriosa e orientada pelo quadro clínico. A indicação precoce, mas não imediata nem rotineira, de hemoderivados é reservada para quadros específicos, geralmente refratários à ressuscitação inicial.
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