O psiquiatra da infância e adolescência em ambulatório e...

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Q3950021 Psiquiatria
O psiquiatra da infância e adolescência em ambulatório especializado faz o primeiro atendimento com uma paciente de 13 anos, sexo feminino. A mãe relata que a jovem já estava em acompanhamento psicológico por um quadro ansioso, mas recentemente tem estado muito mais irritada, principalmente sobre as questões de sua alimentação e autoestima. A paciente prefere ficar sozinha na consulta, pois refere estar com atritos frequentes com a mãe, e relata sempre ter sido insatisfeita com seu corpo. Sem querer, se compara com as amigas e as influenciadoras das redes sociais, por isso há 5 meses começou a fazer mais atividade física (treina na academia 2 horas ao dia, 6 vezes na semana e faz treinos de funcional por conta em casa de 3 a 4 vezes/semana). Também, começou a fazer algumas horas de jejum no dia, sempre que consegue “pula” o jantar ou almoço, perdendo 4kg nesse tempo. Porém, tem ficado muito cansada, ansiosa e acaba comendo mais que o normal em alguma ocasião quase toda semana. Sente não conseguir se controlar, come escondido e sofre fortemente pela culpa. Em algumas ocasiões, já pensou em provocar o vômito após, mas ficou com medo de a mãe ver. Paciente sem método contraceptivo, com irregularidade menstrual. O cálculo do IMC é de 20,3 (entre o percentil 50 e 85). Diante do exposto, o que já é possível afirmar sobre esse caso? 
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que, em adolescente com suspeita relevante de transtorno alimentar, a conduta indicada já envolve família e cuidado especializado.

Tema central: manejo inicial especializado
Análise das alternativas
A
Errada
Erra por fechar bulimia nervosa sem base suficiente no enunciado. A descrição sugere restrição, exercício excessivo, insatisfação corporal e episódios compatíveis com perda de controle, mas não traz elementos suficientes para afirmar com segurança todos os critérios operacionais de bulimia nervosa. Além disso, os fundamentos usados pela alternativa são inadequados: início antes dos 16 anos não sustenta essa formulação como apresentação menos comum, e ausência de sobrepeso ou obesidade não define nem impede esse diagnóstico.
B
Errada
Erra ao tratar psicoeducação inicial e apresentação das linhas gerais do tratamento como iatrogenia. Pela base, diante de suspeita de transtorno alimentar, orientar paciente e família e organizar o cuidado especializado faz parte do manejo inicial apropriado, mesmo antes de se fechar com precisão todas as características do episódio de compulsão alimentar.
C
Errada
Erra por minimizar o quadro com base em IMC normal e em suposto único comportamento compensatório. A base é expressa em que IMC normal não afasta transtorno alimentar nem autoriza classificar o caso como leve. Além disso, o enunciado descreve restrição alimentar, exercício excessivo, sofrimento importante, episódios de perda de controle, culpa e irregularidade menstrual, o que impede essa leitura de baixa gravidade.
D
Errada
Erra ao supor que psicoterapia prévia inespecífica já garante a parte principal do tratamento. A base afirma que transtornos alimentares em adolescentes exigem abordagem especializada e multiprofissional; portanto, acompanhamento psicológico sem treinamento específico no tema não assegura o manejo principal adequado.
E
Certa
A alternativa E está certa porque a questão cobra abordagem inicial, não fechamento diagnóstico definitivo. Pela base, em crianças e adolescentes com transtornos alimentares ou forte suspeita clínica, a conduta indicada é tratamento especializado, multiprofissional, com participação da família; nesse contexto, a terapia baseada na família é referência de primeira linha, e o cuidado deve incluir aconselhamento nutricional especializado. Portanto, mesmo sem cravar com segurança o subtipo diagnóstico, já é correto afirmar a necessidade de envolver a família e estruturar esse cuidado específico.
Pegadinha da questão
A confusão real era induzir o candidato a fechar bulimia nervosa ou a usar IMC normal para minimizar o caso, quando o ponto cobrado era a conduta inicial: envolvimento da família e tratamento especializado.
Dica para questões semelhantes
  • Em adolescente com suspeita de transtorno alimentar, priorize a conduta indicada.
  • IMC normal não exclui transtorno alimentar e não basta para rotular o caso como leve.
  • Psicoeducação inicial de paciente e família integra o manejo; não é, em regra, iatrogênica.
  • Psicoterapia sem capacitação específica não substitui tratamento multiprofissional especializado em transtornos alimentares.

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