Considere a seguinte situação hipotética: Um neurocirurgiã...

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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Médico |
Q4150926 Medicina
Considere a seguinte situação hipotética:

Um neurocirurgião pediátrico opera uma criança de 12 meses de idade, com hemorragia intracraniana e múltiplas equimoses pelo corpo, em fases diferentes de evolução. Os exames de imagem mostram fraturas em fases diferentes de consolidação.

Com base no Código de Ética Médica, acerca da conduta a ser adotada pelo médico no caso, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Diante de suspeita fundamentada de violência infantil, o Código de Ética Médica impõe dever de proteção por meio de notificação/comunicação cabível, sem exigir confirmação definitiva prévia. No caso, a hemorragia intracraniana, as equimoses em diferentes fases de evolução e as fraturas em diferentes estágios de consolidação em uma criança de 12 meses configuram quadro fortemente sugestivo de maus-tratos, o que sustenta a alternativa C.

Tema central: Violência infantil e notificação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque substitui o dever ético relevante por comunicação administrativa interna. A questão cobra a providência voltada à proteção da criança diante de suspeita de violência; comunicar à diretoria do hospital não esgota esse dever protetivo.
B
Errada
Está errada porque exige confirmação dos maus-tratos, quando a suspeita fundamentada já impõe providência, e limita a atuação ao Conselho Ético do hospital, o que não atende ao foco protetivo exigido no caso.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro descrito ativa o dever ético de proteger a criança vulnerável. Lesões em diferentes tempos de evolução sugerem repetição de trauma e tornam a suspeita de maus-tratos clinicamente consistente. Nessa situação, a conduta eticamente adequada é notificar o caso com finalidade protetiva, sem aguardar prova plena nem restringir a providência ao âmbito interno do hospital.
D
Errada
Está errada porque inverte o critério ético aplicável. Em criança com sinais fortemente sugestivos de violência, a notificação na suspeita fundamentada não é infração ética; a omissão diante desse padrão lesional é que contraria o dever de proteção.
E
Errada
Está errada porque usa a ausência de comprovação plena como barreira para denunciar, o que contraria a lógica ética de proteção em violência contra vulneráveis. O Código de Ética Médica não impõe omissão diante de suspeita de ato degradante, desumano ou cruel.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre suspeita fundamentada e confirmação definitiva, além de tentar reduzir a conduta correta a comunicação apenas interna ao hospital.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança com lesões em diferentes fases de evolução, pense em violência repetida e em dever de proteção, não em evento acidental único.
  • Se a questão opõe suspeita versus confirmação, verifique se o cenário envolve vítima vulnerável: nessa situação, suspeita razoável já basta para notificação protetiva.
  • Não confunda fluxo administrativo interno com a providência ética principal quando há suspeita de maus-tratos.
  • Se a alternativa usa sigilo para justificar omissão diante de violência infantil, a tendência é estar errada no contexto ético-protetivo.

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