Leia o trecho da canção "Vento no Litoral", de Renato Russo...
LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR E RESPONDA À QUESTÃO
PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS
Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o foco da disciplina é formar para os diversos usos da linguagem e para a participação na sociedade de forma crítica e criativa.
Boa notícia para os professores de Português do Fundamental 1 e 2: a BNCC mantém muitos dos princípios a
As práticas de linguagem se mantêm, mas é inserida a semiótica
Nos PCNs, a disciplina se organizava em três grandes blocos de conteúdo: Língua Oral, Língua Escrita e Análise e Reflexão sobre a língua. A estrutura proposta pela BNCC se assemelha a essa organização. No novo documento, as habilidades estão agrupadas em quatro diferentes práticas de linguagem: Leitura, Produção de Textos, Oralidade e Análise Linguística/Semiótica. A diferença central refere-se à inserção da análise semiótica. Essa área se refere ao estudo de textos em múltiplas linguagens, incluindo as digitais: como os memes, os gifs, as produções de youtubers etc. Outra mudança é que, para cada um dos eixos, a BNCC propõe um quadro que explicita como se relacionam as práticas de uso e de reflexão. Ou seja: o documento avança na descrição de como podemos refletir sobre a língua, a fim de nos empoderarmos em seu próprio uso.
Os campos de atuação ganham destaque
Uma das maiores mudanças da BNCC para o componente, os Campos de Atuação têm, praticamente, a mesma importância dos eixos temáticos na organização dos objetivos e habilidades que devem ser desenvolvidos durante todo o Ensino Fundamental. De forma geral, sua principal contribuição ao documento é demandar protagonismo dos alunos, mesmo os de anos iniciais, deixando bem clara a necessidade de contextualizar as práticas de linguagem. Para isso, a base leva em conta os campos: 1) da vida cotidiana; 2) da vida pública; 3) das práticas de estudo e pesquisa e 4) artístico/literário.
Os campos de atuação são as áreas de uso da linguagem, na vida cotidiana. Por exemplo: no campo de atuação artístico-literário, temos o uso da língua voltado à produção e à leitura de contos, romances, peças de teatro, poemas. Nesse caso, trata-se de gêneros textuais e usos da linguagem com predominância da atuação artístico-literária. No campo de atuação jornalístico/midiático, encontramos os textos com outra tônica: a da transmissão de informações, da comunicação, da intenção de “vender” um produto/ideia etc.
As diferentes práticas aparecem mais conectadas
Outro avanço do novo documento é a articulação entre as práticas, a partir do entendimento de que a língua mobiliza os diferentes saberes. Assim, as habilidades de escrita constantemente aparecem integradas com práticas linguísticas como as de leitura e as de análise linguística/semiótica. Veja como exemplo a habilidade abaixo:
(EF01LP17) Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas, agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções de montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
A formulação se refere a duas atividades articuladas entre si: planejar e produzir a escrita. Os gêneros são indicados (listas, agendas, calendários etc.), assim como é explicitado o campo de atividade, a situação comunicativa, o tema e a finalidade da produção. Mas, para que o aluno desenvolva a habilidade proposta, o professor terá que planejar práticas de leitura/escrita e outras atividades didáticas em que esses fatores estejam envolvidos. E nas quais o aluno seja levado a reconhecê-los na leitura e a considerá-los na produção. Exemplo: que lista será produzida? Por que vamos produzi-la? Para que ela vai servir? Como ela pode facilitar nossa ação? Quem vai usá-la? Que linguagem devemos usar para que ela atinja seus objetivos? Vale destacar que, para esse trabalho, só o texto não basta, será preciso contextualizar o conhecimento escolar, a partir de situações sociais significativas para os estudantes.
(FONTE: PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS. [S. l.: s. n.], 2024. Disponível em:
Leia o trecho da canção "Vento no Litoral", de Renato Russo, e identifique o erro de regência verbal:
“De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
Vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?”
Com base na análise da regência verbal no trecho, assinale a alternativa que identifica corretamente o erro na regência do verbo “subir” quando empregado intransitivamente, no sentido de “movimento em direção a um local”.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Regência Verbal e uso da crase.
Esta questão exige do candidato conhecimento de norma-padrão quanto à regência do verbo “subir” em contexto de movimento em direção a um local. Segundo a gramática normativa (ex: Celso Cunha & Lindley Cintra), o verbo “subir” pode ser:
- Intransitivo: “O balão subiu.”
- Transitivo indireto, com preposição ‘a’: “Subi à torre”, “subir ao palco”.
- Transitivo direto, em linguagem mais coloquial: “Subi a escada.”
Em linguagem culta, quando subir indica deslocamento para um local (“ir até”), utiliza-se preposição ‘a’ + artigo, formando crase: “subir à(s)”.
Alternativa correta: A) O correto seria “subir às pedras”.
Veja o trecho: “Vai ser bom subir nas pedras”.
Explicação central: A regência padrão recomenda “subir às pedras” por representar deslocamento para local (destino), exigindo a preposição “a” e o artigo “as”. Forma-se a crase: “às”. Rocha Lima e Bechara reforçam: “subir à torre”, “subir às pedras” é adequado em contexto formal.
Análise das alternativas incorretas:
- B) “Subir para as pedras”: impróprio com “para” após “subir” no sentido de deslocamento habitual; não é a regência tradicional.
- C) “Subir as pedra”: Falta artigo e concordância — seria “subir a pedra” (coloquial), mas não está correto para o contexto e falta a preposição.
- D) “Subir pelas pedras”: “Pelas” indica meio/caminho (“caminhar pelas pedras”) e não destino, o que muda o sentido.
- E) “Subir as pedras”: Carece da preposição “a”, logo não há crase, caindo no uso oral/coloquial, não aceito em redação formal ou norma padrão.
Pegadinha: Atenção: A linguagem informal aceita “subir na(s)”, mas a banca prioriza a norma culta, por isso “subir às pedras”.
Dica para provas: Perceba se o verbo indica destino (usa-se “a” + crase) ou meio/caminho (possível “por/pelas”).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo