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Q3545766 Português

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PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS


Na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o foco da disciplina é formar para os diversos usos da linguagem e para a participação na sociedade de forma crítica e criativa.

Boa notícia para os professores de Português do Fundamental 1 e 2: a BNCC mantém muitos dos princípios adotados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Um deles é a centralidade do texto e dos gêneros textuais. Isso quer dizer que o ensino de português precisa continuar contextualizado, articulado ao uso social da língua. No entanto, entre as duas décadas que separam os dois documentos, os estudos de linguagens evoluíram bastante. Da mesma forma, a sociedade também passou por profundas alterações, sobretudo por conta da ampliação do uso da tecnologia. A BNCC reflete esse avanço, que se manifesta, principalmente, em dois aspectos: a presença de textos multimodais – popularizados pela democratização das tecnologias digitais – e as questões de multiculturalismo – uma demanda política da contemporaneidade. Confira a seguir as principais mudanças. 


As práticas de linguagem se mantêm, mas é inserida a semiótica

Nos PCNs, a disciplina se organizava em três grandes blocos de conteúdo: Língua Oral, Língua Escrita e Análise e Reflexão sobre a língua. A estrutura proposta pela BNCC se assemelha a essa organização. No novo documento, as habilidades estão agrupadas em quatro diferentes práticas de linguagem: Leitura, Produção de Textos, Oralidade e Análise Linguística/Semiótica. A diferença central refere-se à inserção da análise semiótica. Essa área se refere ao estudo de textos em múltiplas linguagens, incluindo as digitais: como os memes, os gifs, as produções de youtubers etc. Outra mudança é que, para cada um dos eixos, a BNCC propõe um quadro que explicita como se relacionam as práticas de uso e de reflexão. Ou seja: o documento avança na descrição de como podemos refletir sobre a língua, a fim de nos empoderarmos em seu próprio uso.


Os campos de atuação ganham destaque


Uma das maiores mudanças da BNCC para o componente, os Campos de Atuação têm, praticamente, a mesma importância dos eixos temáticos na organização dos objetivos e habilidades que devem ser desenvolvidos durante todo o Ensino Fundamental. De forma geral, sua principal contribuição ao documento é demandar protagonismo dos alunos, mesmo os de anos iniciais, deixando bem clara a necessidade de contextualizar as práticas de linguagem. Para isso, a base leva em conta os campos: 1) da vida cotidiana; 2) da vida pública; 3) das práticas de estudo e pesquisa e 4) artístico/literário.


Os campos de atuação são as áreas de uso da linguagem, na vida cotidiana. Por exemplo: no campo de atuação artístico-literário, temos o uso da língua voltado à produção e à leitura de contos, romances, peças de teatro, poemas. Nesse caso, trata-se de gêneros textuais e usos da linguagem com predominância da atuação artístico-literária. No campo de atuação jornalístico/midiático, encontramos os textos com outra tônica: a da transmissão de informações, da comunicação, da intenção de “vender” um produto/ideia etc.


As diferentes práticas aparecem mais conectadas

Outro avanço do novo documento é a articulação entre as práticas, a partir do entendimento de que a língua mobiliza os diferentes saberes. Assim, as habilidades de escrita constantemente aparecem integradas com práticas linguísticas como as de leitura e as de análise linguística/semiótica. Veja como exemplo a habilidade abaixo:

(EF01LP17) Planejar e produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor, listas, agendas, calendários, avisos, convites, receitas, instruções de montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.

A formulação se refere a duas atividades articuladas entre si: planejar e produzir a escrita. Os gêneros são indicados (listas, agendas, calendários etc.), assim como é explicitado o campo de atividade, a situação comunicativa, o tema e a finalidade da produção. Mas, para que o aluno desenvolva a habilidade proposta, o professor terá que planejar práticas de leitura/escrita e outras atividades didáticas em que esses fatores estejam envolvidos. E nas quais o aluno seja levado a reconhecê-los na leitura e a considerá-los na produção. Exemplo: que lista será produzida? Por que vamos produzi-la? Para que ela vai servir? Como ela pode facilitar nossa ação? Quem vai usá-la? Que linguagem devemos usar para que ela atinja seus objetivos? Vale destacar que, para esse trabalho, só o texto não basta, será preciso contextualizar o conhecimento escolar, a partir de situações sociais significativas para os estudantes.

(FONTE: PROPOSTAS EM LÍNGUA PORTUGUESA DA BNCC FOCAM NA GRAMÁTICA E NOS GÊNEROS DIGITAIS. [S. l.: s. n.], 2024. Disponível em: https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/22/propostas-em-lingua-portuguesa-da-bncc-focam-na-gramatica-e-nos-generos-digitais. Acesso em: 1 jun. 2024.)

No trecho “A diferença central refere-se à inserção da análise semiótica”, qual é o processo de formação da palavra “semiótica”?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Morfologia — formação de palavras. A questão aborda como a palavra “semiótica” foi formada, exigindo do candidato conhecimento sólido sobre os processos de formação de palavras segundo a norma-padrão.

Regra fundamental: Pela Moderna Gramática Portuguesa (Evanildo Bechara) e a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), derivação sufixal é o processo em que acrescenta-se um sufixo à base ou radical, modificando o sentido da palavra ou criando um novo termo.

Análise da palavra “semiótica”:

• O radical é “semiót-” (do grego semion, ‘sinal’).

• O sufixo acrescentado é “-ica”, indicando relação de característica ou ciência, formando “semiótica”, que significa ciência dos sinais.

Não há prefixo. Portanto, o processo é derivação sufixal.

Alternativa correta: B) Derivação sufixal

— O termo é formado pela adição do sufixo -ica ao radical “semiót”, não havendo presença de nenhum prefixo nem a junção de dois radicais.

Análise das alternativas incorretas:

A) Derivação prefixal: Não ocorre porque não há acréscimo de prefixo.

C) Composição por justaposição: Não se verifica, pois não é formada pela junção de dois radicais independentes e não há simples soma de palavras, como em “passatempo”.

D) Composição por aglutinação: Não ocorre, pois não existe fusão de radicais com alteração fonética, tal como em “planalto” (“plano” + “alto”).

E) Derivação prefixal e sufixal: Falsa, já que não há prefixo adicionado ao radical, apenas sufixo.

Pegadinhas comuns: Cuidado com o reconhecimento de radicais e a identificação de sufixos que atuam isoladamente. Palavras com caráter técnico-científico frequentemente se formam por derivação sufixal.

Resumo estratégico: Sempre identifique o radical da palavra e observe se há apenas acréscimo de sufixo, de prefixo, ou se ocorre a presença de ambos. Para casos em que só existe o sufixo, trata-se de derivação sufixal.

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