A Assembleia Legislativa do Estado Alfa, motivada por recent...
A Assembleia Legislativa do Estado Alfa, motivada por recentes escândalos de desvio de verbas de gabinete e falta de transparência em processos licitatórios, decidiu instaurar um moderno Programa de Integridade e reformular seus mecanismos de governança.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE), em auditoria operacional, recomendou que o órgão não se limitasse ao controle de conformidade (adesão às regras jurídicas e contábeis), mas que desenvolvesse uma cultura de controle de desempenho, voltada para a eficácia da gestão e para o atendimento das necessidades da sociedade. Para isso, a Mesa Diretora da Assembleia buscou integrar os três pilares da governança: liderança, estratégia e controle. No entanto, enfrentou resistência interna de setores que alegam que o compliance é uma prática estritamente voltada ao setor privado e que a transparência excessiva pode engessar o processo legislativo.
Para a implementação desse sistema, considerando as diretrizes de governança e integridade pública, assinale a opção que descreve a abordagem tecnicamente correta.
Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: A questão exigia identificar a alternativa que reunia os elementos tecnicamente compatíveis com um programa de integridade pública: canal de denúncia com proteção ao denunciante e reporte da função de integridade ao nível hierárquico mais elevado.
- Em questões sobre integridade pública, procure alternativas que combinem prevenção, detecção e resposta, e descarte as que reduzem tudo à repressão.
- Se a opção afasta a alta administração da integridade, a tendência é estar errada; liderança institucional é elemento estruturante da governança.
- Canal de denúncia com proteção contra retaliação e função de integridade com autoridade institucional são sinais fortes de alternativa correta.
- No setor público, integridade não se limita a compliance formal nem a transparência passiva; envolve também ética, accountability e transparência ativa.
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Comentários
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A alternativa D está correta pois contempla dois pilares essenciais de qualquer Programa de Integridade robusto (conforme o Decreto nº 11.529/2023 e manuais da CGU/TCU):
- Canais de Denúncia: A garantia de anonimato e a proteção contra retaliação são as únicas formas de incentivar o reporte de irregularidades em ambientes hierarquizados.
- Independência: O setor de compliance/integridade deve ter uma linha de reporte direta à Alta Direção (Mesa Diretora), garantindo que ele tenha autoridade suficiente para auditar e recomendar mudanças sem sofrer interferência de níveis gerenciais intermediários.
❌ Por que as outras estão incorretas?
- (A) Incorreta: O foco exclusivo na dimensão repressiva é um erro clássico. Programas de integridade modernos baseiam-se na prevenção (treinamento, código de ética) e na detecção, e não apenas na punição.
- (B) Incorreta: A integridade pública transcende a legalidade. Ela envolve a adoção de padrões éticos e de conduta que visam ao interesse público, mesmo onde a lei é omissa ou permite discricionariedade.
- (C) Incorreta: Pelo contrário, o conceito de Tone at the Top (Tom da Liderança) exige que a alta direção participe ativamente. Sem o apoio visível do Presidente e dos Deputados, o programa perde credibilidade interna.
- (E) Incorreta: A transparência passiva (responder quando perguntado) é insuficiente. O princípio da Transparência Ativa (divulgar dados proativamente) é obrigatório pela LAI e fundamental para a governança pública.
Por isso que não vemos nada mudar.
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