Homem, 66 anos, técnico judiciário aposentado, tabagista ati...

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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Médico |
Q4150893 Medicina

Homem, 66 anos, técnico judiciário aposentado, tabagista ativo (50 maços-ano), compareceu ao ambulatório com queixa de dispneia aos esforços habituais com escala mMRC = 2 e tosse produtiva crônica.


Relatou que, no último ano, apresentou três episódios de piora da falta de ar e do volume da secreção, tendo sido hospitalizado em um deles para antibioticoterapia e corticoterapia sistêmica.


Ao exame físico: tempo expiratório prolongado e sibilos esparsos à ausculta; saturação de oxigênio = 93% em ar ambiente. A espirometria pós-broncodilatador revela relação VEF1/CVF = 0,62 e VEF1 = 54% do previsto.


De acordo com a atualização GOLD 2024/2025, assinale a opção que indica a classificação do paciente e a conduta terapêutica inicial mais adequada.


Siglas – Definição:

mMRC = 2 - Modified Medical Research Council: anda mais devagar que pessoas da mesma idade ou precisa parar ao caminhar no plano.

GOLD = Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease.

LAMA - Long-Acting Muscarinic Antagonist / Antagonista muscarínico de longa ação (anticolinérgico).

LABA - Long-Acting Beta-2 Agonist / Beta-agonista de longa ação.

CI – Corticoide inalatório.

SABA - Short-Acting Beta-2 Agonist / Beta-2 agonista de curta duração.

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pela BASE DE DECISÃO MÉDICA e pela GOLD 2024/2025, o paciente tem DPOC confirmada por VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70, é sintomático (mMRC = 2) e tem alto risco de exacerbação por 3 episódios no último ano, com 1 hospitalização. Esse perfil o classifica no grupo E, para o qual a terapia inicial recomendada é LABA + LAMA; a saturação de 93% em ar ambiente não sustenta oxigenoterapia domiciliar contínua.

Tema central: Classificação GOLD ABE e tratamento inicial da DPOC
Análise das alternativas
A
Certa
É a alternativa compatível com a BASE DE DECISÃO MÉDICA: o paciente é DPOC confirmado, sintomático e com alto risco de exacerbação, o que o enquadra no grupo E. Para esse grupo, o tratamento inicial preferencial é LABA + LAMA, com possível consideração de CI conforme perfil clínico, especialmente se eosinófilos estiverem elevados.
B
Errada
Está errada porque o paciente não é grupo B. No esquema GOLD ABE, o grupo é definido por sintomas e exacerbações, não por VEF1 > 50% nem por ausência de insuficiência respiratória. Com 3 exacerbações no último ano e 1 hospitalização, o enquadramento correto é grupo E.
C
Errada
Está errada porque usa grupo D, que não é a classificação vigente na GOLD 2024/2025, e porque LABA + CI não é a estratégia inicial preferencial para esse caso. Além disso, corticoide inalatório isolado é inadequado no DPOC dessa situação.
D
Errada
Está errada porque grupo C não corresponde ao esquema GOLD 2024/2025 e porque oxigenoterapia domiciliar contínua não é indicada apenas com SatO2 de 93% em ar ambiente. Reabilitação pulmonar isolada também não substitui broncodilatadores de longa ação no paciente sintomático com exacerbações frequentes.
E
Errada
Está errada porque o paciente não é grupo A: ele é sintomático (mMRC = 2) e tem 3 exacerbações no último ano, com 1 hospitalização. Nessa condição, SABA isolado é insuficiente como manejo de manutenção.
Pegadinha da questão
A principal armadilha é a referência explícita à GOLD 2024/2025, enquanto o gabarito oficial aponta uma alternativa desalinhada com o esquema ABE vigente. Outra pegadinha é usar o VEF1 de 54% para tentar definir o grupo terapêutico inicial, quando isso não determina A, B ou E.
Dica para questões semelhantes
  • Na GOLD 2024/2025, classifique DPOC pelo binômio sintomas + exacerbações, não pelo VEF1 para escolher o grupo inicial.
  • ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 hospitalização no último ano define grupo E.
  • Para grupo E, a conduta inicial preferencial é LABA + LAMA; CI não é obrigatório sem contexto adicional.
  • SatO2 de 93% em ar ambiente, isoladamente, não indica oxigenoterapia domiciliar contínua.

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Comentários

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Creio existem três erros claros com essa questão: Primeiro o GOLD 2024 já não usa os grupos antigos C e D. A classificação atual é A, B e E. Portanto chamar o paciente de C já torna a alternativa incompatível. Segundo o VEF1 dele é 54% nesse caso sequer encaixaria no grupo C (Alto risco de surto, menos sintomas) pois o mMRC = 2, logo mais sintomas. No sistema GOLD, uma pontuação mMRC de 0 a 1 indica "menos sintomas" e uma pontuação mMRC de 2 ou superior indica "mais sintomas". Logo é paciente Alto risco mais sintomas, não se encaixaria na categoria antiga, mesmo na classificação antiga. E por fim, saturação de 93% em ar ambiente não indica oxigenioterapia domiciliar contínua, ela é recomendada em paciente estável com PaO2 < ou igual 55mmHg, ou SaO2 < ou igual a 88% além do que não se deve postergar uso de broncodilatadores em paciente com risco de exarcebação, a reabilitação pulmonar é complementar não substitui o tratamento farmacológico.

De modo resumido, classificaria esse caso como:

  • VEF1 54% ----> GOLD 2

  • mMRC 2 ----> Paciente sintomático

  • > 2 exarcebações ----> Grupo E

  • SpO2 93% isoladamente ----> Não indicar oxigênio domiciliar

Logo, a resposta mais coerente seria a A.

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