Homem, 66 anos, técnico judiciário aposentado, tabagista ati...
Homem, 66 anos, técnico judiciário aposentado, tabagista ativo (50 maços-ano), compareceu ao ambulatório com queixa de dispneia aos esforços habituais com escala mMRC = 2 e tosse produtiva crônica.
Relatou que, no último ano, apresentou três episódios de piora da falta de ar e do volume da secreção, tendo sido hospitalizado em um deles para antibioticoterapia e corticoterapia sistêmica.
Ao exame físico: tempo expiratório prolongado e sibilos esparsos à ausculta; saturação de oxigênio = 93% em ar ambiente. A espirometria pós-broncodilatador revela relação VEF1/CVF = 0,62 e VEF1 = 54% do previsto.
De acordo com a atualização GOLD 2024/2025, assinale a opção que indica a classificação do paciente e a conduta terapêutica inicial mais adequada.
Siglas – Definição:
mMRC = 2 - Modified Medical Research Council: anda mais devagar que pessoas da mesma idade ou precisa parar ao caminhar no plano.
GOLD = Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease.
LAMA - Long-Acting Muscarinic Antagonist / Antagonista muscarínico de longa ação (anticolinérgico).
LABA - Long-Acting Beta-2 Agonist / Beta-agonista de longa ação.
CI – Corticoide inalatório.
SABA - Short-Acting Beta-2 Agonist / Beta-2 agonista de curta duração.
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: Pela BASE DE DECISÃO MÉDICA e pela GOLD 2024/2025, o paciente tem DPOC confirmada por VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70, é sintomático (mMRC = 2) e tem alto risco de exacerbação por 3 episódios no último ano, com 1 hospitalização. Esse perfil o classifica no grupo E, para o qual a terapia inicial recomendada é LABA + LAMA; a saturação de 93% em ar ambiente não sustenta oxigenoterapia domiciliar contínua.
- Na GOLD 2024/2025, classifique DPOC pelo binômio sintomas + exacerbações, não pelo VEF1 para escolher o grupo inicial.
- ≥ 2 exacerbações moderadas ou ≥ 1 hospitalização no último ano define grupo E.
- Para grupo E, a conduta inicial preferencial é LABA + LAMA; CI não é obrigatório sem contexto adicional.
- SatO2 de 93% em ar ambiente, isoladamente, não indica oxigenoterapia domiciliar contínua.
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Comentários
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Creio existem três erros claros com essa questão: Primeiro o GOLD 2024 já não usa os grupos antigos C e D. A classificação atual é A, B e E. Portanto chamar o paciente de C já torna a alternativa incompatível. Segundo o VEF1 dele é 54% nesse caso sequer encaixaria no grupo C (Alto risco de surto, menos sintomas) pois o mMRC = 2, logo mais sintomas. No sistema GOLD, uma pontuação mMRC de 0 a 1 indica "menos sintomas" e uma pontuação mMRC de 2 ou superior indica "mais sintomas". Logo é paciente Alto risco mais sintomas, não se encaixaria na categoria antiga, mesmo na classificação antiga. E por fim, saturação de 93% em ar ambiente não indica oxigenioterapia domiciliar contínua, ela é recomendada em paciente estável com PaO2 < ou igual 55mmHg, ou SaO2 < ou igual a 88% além do que não se deve postergar uso de broncodilatadores em paciente com risco de exarcebação, a reabilitação pulmonar é complementar não substitui o tratamento farmacológico.
De modo resumido, classificaria esse caso como:
VEF1 54% ----> GOLD 2
mMRC 2 ----> Paciente sintomático
> 2 exarcebações ----> Grupo E
SpO2 93% isoladamente ----> Não indicar oxigênio domiciliar
Logo, a resposta mais coerente seria a A.
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