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Q3411970 Biomedicina - Análises Clínicas
Diabetes Mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada por níveis persistentemente elevados de glicose no sangue (hiperglicemia), decorrentes de alterações na secreção e/ou ação da insulina — hormônio produzido pelas células beta do pâncreas, essencial para a regulação do metabolismo da glicose. Trata-se de uma das enfermidades crônicas mais prevalentes no mundo, sendo considerada um grave problema de saúde pública devido às múltiplas complicações sistêmicas que pode causar ao longo do tempo, como retinopatia, nefropatia, neuropatia e doenças cardiovasculares. O biomédico desempenha papel fundamental no contexto laboratorial, atuando na realização, validação e interpretação de exames bioquímicos que auxiliam no diagnóstico, monitoramento e acompanhamento terapêutico do paciente diabético, além de contribuir com pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento. A respeito do tema descrito, assinale a alternativa correta:
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Tema central: Diagnóstico e monitoramento laboratorial do Diabetes Mellitus, com foco em testes bioquímicos (glicose plasmática, TOTG, HbA1c, insulina/peptídeo C) e avaliação de complicações (especialmente renais).

Alternativa correta: CInsulina e peptídeo C avaliam a secreção endógena de insulina. No DM1, a destruição autoimune das células beta leva a baixos níveis de insulina e peptídeo C. No DM2, em geral há resistência insulínica com insulina/peptídeo C normais ou elevados inicialmente; podem cair tardiamente por falência beta. Observação útil: em uso de insulina exógena, o peptídeo C é o melhor marcador da produção endógena (permanece baixo no DM1). Referências: ADA Standards of Care 2024; UpToDate; Harrison’s.

Análise das alternativas incorretas

A) Falso. O TOTG (75 g/2h) não é contraindicado no DM2; é indicado quando há dúvida diagnóstica (p. ex., glicemia de jejum limítrofe) e é amplamente utilizado também no diabetes gestacional (protocolos específicos). O teste não “interfere” patologicamente no metabolismo da insulina; ele o avalia sob desafio. (ADA/OMS).

B) Falso. A HbA1c reflete a média glicêmica dos últimos ~8–12 semanas, com maior peso nas 4 semanas finais, não apenas 15 dias. Pode ser usada para diagnóstico sem jejum se o método for padronizado (NGSP/DCCT) e na ausência de interferências (anemias, hemoglobinopatias, DRC). (ADA 2024).

D) Falso. Glicemia capilar por glicosímetros é ótima para monitorização, mas não é exame de referência para diagnóstico devido à variabilidade dos dispositivos e interferências (hematócrito, temperatura). O padrão-ouro é glicose plasmática venosa em laboratório. (ADA/OMS).

E) Falso. O diabetes afeta a função renal. É mandatória a avaliação periódica de creatinina/eTFG e albuminúria (relação albumina/creatinina na urina) — anualmente em DM2 desde o diagnóstico e em DM1 após 5 anos, mesmo com bom controle glicêmico. (ADA 2024; Diretrizes nefro-diabetes).

Critérios diagnósticos (ADA/OMS):

- Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL; ou
- TOTG 2h ≥ 200 mg/dL; ou
- HbA1c ≥ 6,5%; ou
- Glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos.
Na ausência de sintomas, requer confirmação em dia diferente.

Estratégia de prova (pegadinhas): desconfie de termos absolutos como “exclusivo”, “contraindicado”, “apenas em jejum” e “exame de referência” para métodos point-of-care. Relacione marcadores: insulina + peptídeo C baixos → DM1; normais/altos → DM2 (fase inicial).

Referências essenciais: ADA Standards of Care in Diabetes 2024; OMS/WHO Diabetes diagnostic criteria; UpToDate (Evaluation of hyperglycemia); Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21ª ed.

Gabarito: C

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Comentários

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Dosagem de insulina e peptidio C.

Níveis baixos de ambos os hormônios são um forte indicativo de diabetes tipo 1, enquanto no diabetes tipo 2 (principalmente no início da doença) esses níveis podem estar normais ou até elevados devido à resistência à insulina.

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