O objetivo central do estudo conduzido pela UFSCar é:

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Q3989247 Educação Física
TEXTO: BEBÊS EXPOSTOS À POBREZA APRESENTAM ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO MOTOR JÁ AOS SEIS MESES

Maria Fernanda Ziegler

        A pobreza pode afetar o desenvolvimento motor dos bebês já aos seis meses de idade. Essa é a conclusão do primeiro estudo brasileiro que investigou mês a mês a quantidade e a qualidade do desenvolvimento motor e sua relação com a vulnerabilidade socioeconômica nos primeiros meses de vida.

        Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o trabalho acompanhou 88 bebês dos 3 aos 8 meses, sendo 50 deles em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Os resultados foram publicados na revista Acta Psychologica.

        “Além desses bebês alcançarem marcos motores [como agarrar objetos, virar e sentar] mais tarde que os não expostos à pobreza, eles apresentavam menor diversidade de movimentos, repetindo sempre a mesma estratégia para pegar um brinquedo, por exemplo”, explica Carolina Fioroni Ribeiro da Silva, bolsista da Fapesp cujo estudo foi objeto de seu doutorado.

      Para Eloisa Tudella, professora da UFSCar e orientadora da pesquisa, esses atrasos sutis em lactentes expostos à pobreza podem ter impactos importantes mais adiante, nos períodos pré-escolar e escolar. 

        “Embora não tenha sido o foco direto da pesquisa, evidências indicam que atrasos motores leves no primeiro ano de vida podem influenciar o desenvolvimento global e se associar a problemas comportamentais na idade escolar, incluindo transtorno do déficit de atenção com hiperatividade [TDAH] e transtornos da coordenação”, afirma.

        O estudo mostrou ainda que há espaço para reversão já que, aos oito meses, os atrasos já não eram mais significativos. Essa possibilidade de melhora é atribuída ao engajamento das mães, que passaram a reproduzir em casa as orientações dadas durante as visitas (nenhum pai se apresentou como responsável para receber as pesquisadoras).

        “A maioria das mães expostas à pobreza era adolescente e não sabia como estimular os bebês após o nascimento. Durante as visitas, nós ensinávamos práticas simples, como colocar a criança de barriga para baixo, usar papel amassado como brinquedo ou conversar e cantar para o bebê. Todas as mães se mostraram muito receptivas, copiavam as ações durante as avaliações e passaram a interagir mais com os filhos, favorecendo seu desenvolvimento motor”, conta Silva, atualmente em pós-doutorado na Heinrich Heine University, na Alemanha.

        Conhecidos como “tummy time”, os períodos curtos em que o bebê fica de bruços sobre um tapete, acordado e supervisionado, são indicados para fortalecer cabeça, pescoço, ombros, costas e braços, contribuindo para a preparação da musculatura e a coordenação necessárias para que o bebê seja capaz de rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé.

        “Em muitos lares, os bebês passavam mais tempo confinados em carrinhos, com poucas oportunidades para explorar o ambiente, fortalecer os músculos e experimentar diferentes formas de se mover, pois não havia espaço para isso”, afirma Silva.  

        O trabalho utilizou pela primeira vez no Brasil o Infant Motor Profile (IMP), instrumento desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda. Diferente de escalas que avaliam apenas se o bebê atingiu determinado marco motor, o IMP analisa também a qualidade dos movimentos – variação, fluidez, simetria e desempenho. Isso permite identificar precocemente riscos neuromotores, planejar intervenções mais precisas e acompanhar a evolução das crianças ao longo do tempo.

        Segundo Tudella, outra vantagem do instrumento é reduzir a necessidade de avaliações mais caras e complexas, como ressonância magnética em bebês, que em geral exige sedação.

Fonte:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/02 /bebes-expostos-a-pobreza-apresentam-atrasos-nodesenvolvimento-motor-ja-aos-seis-meses.shtml. Acesso em 12/02/2026. 
O objetivo central do estudo conduzido pela UFSCar é:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era a formulação expressa no texto-base sobre o que o estudo investigou mês a mês; isso é o que permite vincular diretamente a resposta à alternativa D.

Tema central: objetivo da pesquisa
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque o texto não afirma que o estudo buscou comprovar danos neurológicos irreversíveis causados pela pobreza. Além disso, menciona possibilidade de reversão dos atrasos aos oito meses, o que contraria a ideia de irreversibilidade.
B
Errada
Errada porque o “tummy time” aparece como orientação dada às mães durante as visitas, não como objetivo central da pesquisa. Também não há indicação de que o estudo tenha sido delimitado a avaliar sua eficácia nem de que o foco fossem especificamente bebês de mães adolescentes.
C
Errada
Errada porque o texto apenas informa que o Infant Motor Profile foi utilizado e que tem vantagens avaliativas, como reduzir a necessidade de exames mais caros e complexos. Isso não autoriza concluir que o objetivo da pesquisa era validá-lo ou substituí-lo pela ressonância magnética.
D
Certa
A alternativa D corresponde ao que o texto diz de forma explícita sobre a investigação da UFSCar: a relação entre vulnerabilidade socioeconômica e desenvolvimento motor dos bebês ao longo dos primeiros meses de vida.
Pegadinha da questão
A confusão real era trocar o objetivo central do estudo por elementos acessórios do texto: resultados sobre atraso motor, orientação de “tummy time” ou vantagens do Infant Motor Profile.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão sobre objetivo de estudo, procure a frase do texto que declara diretamente o que a pesquisa investigou.
  • Não transforme resultado encontrado em finalidade inicial da pesquisa.
  • Não confunda instrumento utilizado ou intervenção mencionada com o foco principal do estudo.

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