A acentuação gráfica de duas palavras do texto foi modificad...
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.
No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.
O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafitos ou pichações. Este é um fenôeno social — talvez antissocial — tanto de relativo interesse quanto de importância.
Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.
Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito — mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.
Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.
O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.
(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.
Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)
A acentuação gráfica de duas palavras do texto foi modificada pelo Novo Acordo Ortográfico.
Assinale a alternativa em que ambas estão assinaladas.
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
GABARITO: C
Para gabaritar esse tipo de questão pós-Novo Acordo Ortográfico, guarde o motivo da queda dos acentos:
1. FEIURA (Sem acento)
- O acento CAIU nas palavras paroxítonas quando o I ou U tônicos vêm depois de um ditongo decrescente (vogal + semivogal).
- Antes: fei-ú-ra / Hoje: fei-u-ra.
- Outros exemplos: bai-u-ca, bo-cai-u-va.
- Se for oxítona, o acento continua! Ex: Piauí, tuiuiú.
2. PARA (Sem acento)
- O acento diferencial CAIU na maioria dos homógrafos paroxítonos. Não se usa mais acento para diferenciar o verbo da preposição.
- Antes: ele pára (verbo) / Hoje: ele para.
estes MANTIVERAM o acento:
- PÔDE (passado) vs. PODE (presente) ➔ Obrigatório
- PÔR (verbo) vs. POR (preposição) ➔ Obrigatório
- TÊM/VÊM (plural) vs. TEM/VEM (singular) ➔ Obrigatório
- FÔRMA (utensílio) vs. FORMA (jeito) ➔ Facultativo/Opcional
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo