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Q3331285 Medicina
Após uma histerectomia total, uma paciente desenvolve uma infecção no local cirúrgico. O manejo mais adequado para a infecção pós-operatória é:
Alternativas

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Tema central: infecção do sítio cirúrgico (ISC) no pós-operatório de histerectomia. Envolve reconhecimento clínico, coleta de material para cultura e antibioticoterapia adequada, com avaliação de necessidade de drenagem/desbridamento quando há coleção.

Por que a alternativa correta é a melhor conduta? O manejo padrão de ISC, segundo CDC/WHO e ACOG/UpToDate, é: (1) suspeitar clinicamente (dor, eritema, calor, secreção purulenta, febre), (2) coletar material para Gram/cultura e (3) iniciar antibiótico empírico precoce, ajustando para esquema dirigido ao patógeno conforme o antibiograma. Portanto, “prescrever antibióticos de acordo com o cultivo e sensibilidade” traduz a terapia dirigida, que reduz falha terapêutica, resistência e efeitos adversos. Em histerectomia, as ISCs podem ser polimicrobianas (gram-positivos cutâneos, gram-negativos e anaeróbios do trato genital), reforçando a importância da escolha guiada.

Como pensar na prática: - Incisional superficial: cobrir principalmente Staphylococcus aureus (considerar MRSA conforme risco). - Incisional profunda/órgão-espaço (p.ex., celulite de cúpula vaginal ou abscesso pélvico): cobertura ampla para gram-negativos e anaeróbios (ex.: ampicilina-sulbactam, ceftriaxona + metronidazol; casos graves: piperacilina-tazobactam), com ajuste pelo cultivo. - Se houver coleção/abscesso: drenagem + antibiótico.

Análise das alternativas incorretas:

B) Compressas frias: podem aliviar edema superficial, mas não tratam a infecção bacteriana. Conduta adjuvante, nunca isolada. Contraria diretrizes que priorizam antibiótico e, quando indicado, drenagem (CDC, WHO).

C) Analgésicos potentes: controlam dor, porém não abordam a causa. Devem ser coadjuvantes após iniciar antibiótico adequado (ACOG/UpToDate).

D) Líquidos e fibras: medida de suporte geral e prevenção de constipação, mas irrelevante para erradicar ISC. Não substitui antibiótico dirigido.

E) Cirurgia de revisão imediata sem tratamento conservador: indicada apenas em situações específicas (fasciíte necrosante, deiscência grave, evisceração, abscesso não passível de drenagem minimamente invasiva). Para a maioria das ISCs, inicia-se antibiótico e considera-se drenagem se houver coleção.

Diagnóstico – lembretes de prova: febre, rubor, dor, secreção purulenta, deiscência; leucocitose; ultrassom/TC se suspeita de abscesso pélvico; colher cultura antes do antibiótico quando possível, sem atrasar tratamento se paciente estiver séptica.

Pegadinhas: não confundir medida adjuvante (compressa/analgésico) com tratamento etiológico. “Cirurgia imediata” só em sinais de gravidade. Sempre pensar em empírico precoce + ajuste pelo antibiograma.

Referências: CDC Guideline for Prevention of Surgical Site Infection; ACOG Practice Bulletins; UpToDate (Postoperative pelvic infections); WHO Global SSI Prevention.

Gabarito: A

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