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Q3331279 Medicina
Uma paciente de 35 anos é encaminhada para investigação de miomatose uterina. Durante o exame ultrassonográfico, qual a principal característica anatômica da musculatura uterina que permite a diferenciação entre o miométrio e o endométrio?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B — Ecogenicidade

Tema central: Diferenciação ultrassonográfica entre endométrio e miométrio. No ultrassom pélvico, a distinção entre as camadas uterinas é feita principalmente pelo contraste de ecogenicidade (brilho) entre elas.

Por que a alternativa B é a correta? O endométrio normalmente aparece como uma estrutura mais ecogênica (brilhante) no centro do útero, formando a “linha endometrial/estria endometrial”, cuja ecogenicidade varia com a fase do ciclo (padrão trilaminar no período periovulatório e hiperecogênico na fase secretora). Já o miométrio apresenta ecogenicidade intermediária e mais homogênea, com a zona juncional/subendometrial frequentemente hipoecogênica, reforçando o contraste com o endométrio. Esse diferencial de brilho é o critério primário para separar as camadas no exame.

Estratégia de prova: Em imagem uterina, pense em “brilho central = endométrio; “cinza” periférico = miométrio”. Lembre da zona juncional hipoecogênica como faixa de transição, útil para reforçar limites. Em miomas, o miométrio pode ficar heterogêneo, mas o contraste de ecogenicidade com o endométrio permanece o principal guia.

Análise das alternativas incorretas:

  • A – Espessura: Não é o critério principal porque a espessura endometrial varia amplamente com o ciclo, uso de hormônios e menopausa. O miométrio também varia conforme paridade e presença de miomas. Isoladamente, espessura não diferencia camadas.
  • C – Vascularização: O Doppler evidencia padrões vasculares (ex.: artérias arqueadas no miométrio), mas há sobreposição e não é necessário para distinguir camadas em um útero normal. É mais útil para caracterizar lesões (ex.: mioma vs adenomiose) do que para separar miométrio de endométrio.
  • D – Ecotextura: Refere-se ao padrão (homogêneo/heterogêneo), não ao brilho relativo. Embora o miométrio tenda a ser mais homogêneo e o endométrio mais definido, a ecogenicidade é o critério fundamental para a diferenciação anatômica.
  • E – Mobilidade: Mobilidade uterina ao toque/exame dinâmico não distingue camadas anatômicas. É irrelevante para separar endométrio de miométrio no ultrassom.

Correlação prática (miomas): Miomas são tipicamente hipoecogênicos em relação ao miométrio, com possível sombras posteriores e distorção do contorno uterino. Mesmo nesses casos, a diferença de ecogenicidade entre endométrio e miométrio segue sendo a referência para orientação anatômica.

Referências rápidas: UpToDate – “Pelvic ultrasonography: Normal female pelvic anatomy and transvaginal ultrasonography”; “Uterine leiomyomas: Diagnosis”; Callen’s Ultrasonography in Obstetrics and Gynecology; Diretrizes e consensos FEBRASGO sobre ultrassonografia ginecológica.

Dica final: Se a questão perguntar “qual característica anatômica permite diferenciar as camadas no US?”, priorize ecogenicidade; evite cair na pegadinha da “espessura”, que é altamente variável.

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