A crítica e as indagações feitas pelo texto são: 

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Q3613868 Português
A questão refere-se ao texto abaixo relacionado: 


Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia. 


Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranquilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?  


É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!) 


Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Bertolt Brecht
A crítica e as indagações feitas pelo texto são: 
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de Texto – Atemporalidade vs. Temporalidade de ideias em obras literárias. O foco recai sobre a análise semântica e pragmática do texto, aplicando habilidades de interpretação, como identificação de temas universais e compreensão do alcance temporal da crítica apresentada.

Justificativa para a alternativa correta (D) Atemporais:

Ao associar o poema de Bertolt Brecht à atemporalidade, reconhecemos que ele trata de questões universais: injustiça social, indiferença, culpa, responsabilidade e a condição do homem diante das adversidades. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), temas atemporais são aqueles que ultrapassam sua época, permanecendo pertinentes por se referirem a realidades recorrentes na experiência humana.

No texto, frases como “Eu vivo em tempos sombrios” e as reflexões sobre a indiferença social expressam dilemas que não se restringem a um período específico. Esses elementos semânticos evidenciam que a crítica permanece atual e relevante em diferentes contextos históricos.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Ultrapassadas: Indica perda de relevância no tempo, o que não corresponde ao teor do texto. Os temas continuam atuais.
  • B) Vanguardistas: Embora Brecht inovasse, o objetivo aqui não é ressaltar ineditismo, mas sim a perenidade das críticas, que atravessam épocas.
  • C) Efêmeras: Contrapondo-se ao sentido de atemporalidade, o efêmero é passageiro, tornando essa alternativa inadequada.
  • E) Datadas: “Datado” opõe-se a “atemporal”; critica vinculada a um tempo ou evento específico. Não é o caso: os temas abordados transcendem limites cronológicos.

Estratégia de resolução e ponto-chave:

Fique atento ao vocabulário empregado nas alternativas! Em provas, “atemporal” remete àquilo que dialoga com qualquer época, enquanto “datado” ou “ultrapassado” indica delimitação histórica. Palavras com sentidos opostos são frequentemente utilizadas como possíveis pegadinhas. Consulte sempre o sentido amplo transmitido pelo texto, buscando temas gerais e persistentes, não apenas dados históricos do contexto de produção.

Como orienta Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a análise semântica deve buscar o alcance do tema e sua adequação conceitual ao enunciado da questão.

Resumo: O texto de Brecht é atemporal porque traduz preocupações duradouras, válidas em qualquer época, e não apenas no contexto específico de sua escrita.

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