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Q2424764 Português

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Formar leitores para o século 21

Claudia Costin


Venho de uma família de leitores, via meus pais com frequência lendo em seu tempo de lazer. Isso me ajudou a ter na leitura um hábito e fonte de prazer. Ter frequentado bibliotecas públicas completou minha formação leitora.

Ao ler a notícia de que o Brasil ainda apresenta índices inaceitáveis no último Pisa em leitura e interpretação de textos, ocorreu-me que, apesar de esforços em promover a leitura nas escolas, nossa tardia universalização do acesso ao ensino fundamental e a forma como ainda produzimos analfabetos funcionais escolarizados têm cobrado um preço alto.

Mas não são só os que não foram bem alfabetizados e os que vêm de famílias vulneráveis que não têm o hábito da leitura, contamos infelizmente com elites não leitoras.

Sim, cada vez se lê mais, mas ler em redes sociais — na maior parte das vezes, só o conteúdo expresso no tuíte, desprezando os textos a ele acoplados — não torna a casa em que vivem os jovens mais propícia a estimular a leitura que os prepara para os desafios do século 21.

A neurocientista Maryanne Wolf, em seu brilhante livro recentemente traduzido para o português, “O Cérebro no Mundo Digital”, mostra que a leitura, uma competência não inata em humanos, como é a fala, demanda passos sequenciais complexos para o seu aprendizado, o que não fazemos com seriedade, e que seu desenvolvimento ao longo da vida demanda um foco que o mundo digital, com suas distrações, vem retirando de nós.

Sim, pelas recentes pesquisas sobre o cérebro, há que haver intencionalidade pedagógica e uma abordagem estruturada no processo de alfabetização. Além disso, a instantaneidade do nosso tempo conspira contra a atenção concentrada necessária à leitura.

Nunca tivemos tanta informação disponível e nunca foi tão difícil ler para entender o que o texto diz nas entrelinhas, separar fato de opinião e conectar o que foi lido com um repertório cultural mais amplo —competências absolutamente necessárias em tempos de revolução 4.0, em que a inteligência artificial substitui o trabalho humano que demanda competências intelectuais de nível mais básico.

Isso, porém, não ocorre só com obras de não ficção.

Nunca foi tão urgente ler boa literatura!

Wolf associa a leitura literária não apenas com a apreciação da arte mas também com o desenvolvimento de empatia. Grandes obras nos permitem viver a vida de personagens ficcionais e sentir as suas tensões e os dramas que eles experimentaram.

Com isso nos tornamos mais humanos, menos fechados num mundo limitado e mais aptos a nos abrirmos a um diálogo com quem teve experiências distintas das nossas. E o mundo precisa muito disso!

Disponível em:<https://www.folha.uol.com.br/

colunas/claudia-costin/2019/12/formar-leitores-

para-o-seculo-21.shtml>. Acesso em 18 fev. 2020.

Assinale a alternativa em que o item extraído do texto não pode ser acentuado, no singular e no plural, pela mesma regra.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Esta questão aborda Ortografia – Acentuação Gráfica, fundamental para cargos públicos, pois exige domínio da norma-padrão conforme estabelecem gramáticas como as de Bechara e Cunha & Cintra.

Entenda a regra: Palavras da língua portuguesa recebem acento gráfico seguindo critérios definidos quanto à posição da sílaba tônica (oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas) e terminação.

Análise da alternativa correta:

A alternativa B) nível é a correta. Por quê? “Nível” é paroxítona terminada em -l e acentuada por esse motivo. Ao passarmos para o plural (níveis), ela torna-se paroxítona terminada em -is, mudando a razão do acento. Assim, o singular e o plural não são acentuados pela mesma regra. Eis o ponto central!

Regra (Cunha & Cintra): “Paroxítonas terminadas em -l” (nível) e em “-is” (níveis) são acentuadas, mas com regras específicas para cada caso.”

Análise das incorretas:

A) família: Proparoxítona no singular e plural (famílias). Toda proparoxítona é acentuada, sem variação de regra.

C) século: Também proparoxítona (século/séculos). Mesma regra, sempre acentuadas.

D) conteúdo: Proparoxítona (conteúdo/conteúdos). Regra igual no singular e no plural.

Pegadinha da questão: Todas são acentuadas no singular e plural, mas só em “nível/níveis” muda a classificação (de -l para -is), e, portanto, muda a regra de acentuação aplicada. Nas demais, a regra segue inalterada.

Dica: Ao estudar acentuação, atente-se à sílaba tônica e à terminação após o acréscimo do plural. Questões como esta valorizam o candidato atento a detalhes e capaz de aplicar as regras com segurança, característica essencial para o cargo de Fiscal de Tributos.

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Comentários

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tá certo isso?

Acho que cabe anulação, pois na letra B, níveis é acentuado pela regra geral das paroxítonas:

São acentuadas as paroxítonas (aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima) terminadas em i/is, us, r, l, x, n, um/uns, ão/ãos, ã/ãs, ps, on/ons: júri/júris, vírus, caráter, têxtil, tórax, hífen (hifens não tem acento), fórum/fóruns, órgão/órgãos, ímã/ímãs, bíceps, próton/prótons.

tanto nível quanto níveis são acentuados pela regra geral das paroxítonas

bizu: se o acento é no vizinho, o final fica juntinho

por isso níveis segue a mesma regra de nível, ambas paroxítonas

Nível: acentuado pela regra geral das paroxítonas

Níveis: acentuado pela regra das paroxítonas terminadas em ditongo

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