Ainda sobre o texto podemos afirmar corretamente, EXCETO: 

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Q3613865 Português
A questão refere-se ao texto abaixo relacionado: 


Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia. 


Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranquilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?  


É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!) 


Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Bertolt Brecht
Ainda sobre o texto podemos afirmar corretamente, EXCETO: 
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto, com ênfase na identificação da ideia central do poema e no reconhecimento das inferências e críticas implícitas.

Justificativa para a alternativa correta (C): A alternativa C está incorreta porque contraria a essência crítica do texto. O autor, ao expor seu desconforto e preocupação com as injustiças e o sofrimento alheio, condena explicitamente a postura de indiferença diante da realidade. O trecho “uma testa sem rugas é sinal de indiferença” demonstra que quem vive passivo e distante apenas mostra insensibilidade, e não é isto que o poema recomenda.

Conforme orientam Cunha & Cintra na Nova Gramática do Português Contemporâneo, a coerência textual ocorre quando a mensagem do texto é respeitada em sua lógica interna, e alternativas que distorcem seu sentido são equivocadas.

Análise das demais alternativas:

A) Correta. O texto sugere que todos estão sob ameaça das “terríveis notícias”, ainda que nem todos a tenham recebido – “Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.”

B) Correta. O autor expressa claro desconforto por consumir o que poderia servir ao outro: “Como é que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?”

D) Correta. O poema afirma que “falar sobre flores é quase um crime”, pois significa silenciar diante de injustiças: há aqui uma crítica à alienação.

E) Correta. O eu lírico reconhece que sua situação é fruto do acaso e pode mudar a qualquer momento (“Por acaso estou sendo poupado... Se a minha sorte me deixa estou perdido!”).

Estratégias de resolução e dicas:
Para questões de interpretação, parafraseie mentalmente as passagens, identifique o tom do texto (crítico, irônico, resignado etc.) e observe palavras que indicam julgamento ou sentimentos do autor. Cuidado com alternativas que apresentam ideias opostas, pois geralmente são as erradas, como neste caso.

Ao praticar, lembre-se da importância da coerência e da fidelidade ao texto, fundamentos ressaltados em gramáticas como as de Bechara e Cunha & Cintra.

Gabarito: C

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