Economia circular pode virar o jogo contra a poluição
plástica
Fabrício Fonseca
A poluição plástica é uma das maiores ameaças
ambientais globais, com impactos profundos na
biodiversidade, na saúde humana e na economia.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o
segundo maior problema ambiental do planeta, atrás
apenas das mudanças climáticas.
No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de
resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena
fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta
urgente. É neste cenário que a economia circular se
apresenta como estratégia fundamental para
transformar resíduos em recursos, mitigar danos
ambientais e promover um desenvolvimento
verdadeiramente sustentável.
Diferentemente do modelo linear tradicional –
extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia
circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento
dos materiais. No caso do plástico, significa estender
sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e
reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de
paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma
oportunidade de inovação, geração de empregos e
inclusão social.
Dados recentes de organizações como Oceana e
WWF-Brasil indicam que substituir plásticos
descartáveis por alternativas sustentáveis pode evitar
milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir
significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso,
a economia circular tem potencial para impulsionar o
crescimento econômico e a geração de renda no país,
um casamento entre sustentabilidade e
desenvolvimento que não podemos ignorar.
Para ilustrar a urgência e o potencial dessa
transformação, vale destacar estudo da Fundação
Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos).
Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13%
dos resíduos sólidos urbanos, retratando um
desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade
perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa
taxa não só reduziria o impacto ambiental, como
poderia gerar centenas de milhares de empregos
diretos em setores ligados à coleta e triagem, o que
promoveria inclusão social e dignidade para milhares
de famílias.
Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos
importantes, como a flexibilização da importação de
resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que
ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza
o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil
precisa de políticas públicas claras e adequadas à
realidade do país, incentivos adequados e
investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Apesar dos avanços, os desafios são enormes e
anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa
ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias
inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de
corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e
descartar de forma consciente, o setor privado precisa
garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder
público tem o papel fundamental de criar marcos legais
consistentes e efetivos. [...]
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/06/dodescarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.
Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma locução verbal.
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