Homem de 48 anos retornou de viagem ao Pará e é atendido no ...
Exames complementares iniciais: hemoglobina = 14,5g/dl; VCM = 98fl; leucócitos = 5.700/mm³; plaquetas = 145.000/mm³; 85mg/dl; creatinina = 1,9mg/dl; bilirrubina total = 2,22mg/dl; ALT = 2.150U/l (6-36); AST = 1.680U/l (1-32); fostatase alcalina = 126U/l (45-105); INR = 2,8; albumina sérica = 3,4g/l.
Gasometria arterial (ar ambiente); pH = 7,3; PaO2 = 98mmHg; PaCO2 = 28mmHg; bicarbonato = 18mmol/l (22-26); lactato = 2,3mmol/l (0,5-1,5).
Considerando que o paciente apresenta quadro clínico compatível com insuficiência hepática aguda, o mais provável diagnóstico etiológico para este paciente é:
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Tema central da questão: O caso descreve um paciente com quadro agudo de insuficiência hepática (encefalopatia, icterícia, INR elevado) após viagem à região amazônica. A análise pede identificação da causa etiológica provável, considerando achados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos.
Justificativa da alternativa correta (D – Hepatite viral D):
A hepatite D (HDV) depende da presença do vírus da hepatite B (HBV) para infectividade e replicação. Nas regiões amazônicas, como o Pará, a coinfecção e, sobretudo, a superinfecção por HDV em portadores de HBV são causas conhecidas e clássicas de insuficiência hepática aguda grave. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e Coinfecções do Ministério da Saúde enfatiza que “a infecção aguda pode cursar com formas fulminantes, especialmente em áreas endêmicas da região Norte” (Ministério da Saúde, p. 19).
A apresentação de elevação acentuada das transaminases, INR > 1,5, encefalopatia (confusão mental, flapping), sem ascite, perfaz diagnóstico de insuficiência hepática aguda, que, nas condições epidemiológicas apresentadas, direciona ao HDV como principal agente etiológico.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Hantavírus: cursa com síndrome pulmonar ou renal, raramente causa insuficiência hepática aguda.
- B) Chikungunya: doença febril exantemática, sem envolvimento hepático fulminante.
- C) Febre Mayaro: manifesta-se por febre e artralgias; apesar de arbovirose amazônica, não causa quadros hepáticos graves.
- E) Febre Oropouche: semelhante à dengue, mas sem insuficiência hepática aguda.
Dicas de prova e interpretação:
Cuidado com pegadinhas sobre doenças regionais que raramente levam a insuficiência hepática. Atenção ao perfil epidemiológico descrito e ao padrão laboratorial de hepatite aguda grave, especialmente se associado a viagem ao Norte e quadro de falência hepática.
Resumo prático: Em pacientes com insuficiência hepática aguda, viagem para área amazônica e exames compatíveis, priorize HDV no diagnóstico diferencial, sempre embasado por evidências e protocolos recentes do Ministério da Saúde e literatura (ex: Harrison’s Principles of Internal Medicine).
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