Acerca do texto podemos afirmar corretamente que:

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Q3613864 Português
A questão refere-se ao texto abaixo relacionado: 


Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia. 


Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranquilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?  


É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!) 


Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.


Bertolt Brecht
Acerca do texto podemos afirmar corretamente que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito Comentado – Interpretação de Texto para Advogado

Tema central da questão: A questão avalia interpretação de texto e análise semântica, exigindo do candidato a identificação do sentimento predominante no poema e a compreensão das intenções do autor, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Análise da alternativa correta (Letra B):

A alternativa B está correta, pois demonstra leitura atenta do campo semântico do texto. Expressões como “tempos sombrios”, “terrível notícia” e “tanta injustiça” comunicam explicitamente um cenário de tristeza e angústia. Conforme Celso Cunha & Lindley Cintra (“Gramática da Língua Portuguesa”), a interpretação depende da análise de “palavras-chave” e do contexto. O texto de Brecht revela indignação e melancolia acerca do contexto social, reforçando o sentimento contínuo de pesar pelo mundo à sua volta.

Alternativas Incorretas:

  • A – Incorreta, pois o autor não se silencia; ele expõe suas inquietações sobre a sorte e injustiça vigentes.
  • C – Errada, visto que “eu continuo comendo e bebendo” demonstra que, mesmo reconhecendo a injustiça, não chega a se privar do privilégio – há reflexão crítica, não abstenção.
  • D – Inadequada, pois o próprio texto afirma: “ainda ganho o bastante para viver”. Isso indica superioridade circunstancial em relação aos demais.
  • E – Errada ao afirmar autoclassificação como “estúpido e indiferente”; o autor questiona esses comportamentos, mas demonstra consciência e sensibilidade diante do cenário, não conformismo.

Estratégias para prova: Atente-se a expressões-chave que revelem o tom do texto (aspecto essencial em cargos jurídicos). Observe também “pegadinhas” como inferências equivocadas a partir de frases soltas. Pasquale Cipro Neto recomenda sempre buscar o “fio condutor” do texto, relacionando sentimentos expressos e questionamentos existenciais dos autores.

Resumo prático: Para evitar erros em questões semelhantes, busque entender o sentimento central do texto pelas palavras de maior carga emocional presentes e cheque se a alternativa corresponde ao sentido global do texto.

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