Durante uma auditoria de segurança em um tribunal, um analis...
Além disso, constatou-se que a assinatura digital das peças processuais aplica o algoritmo assimétrico RSA sobre um resumo criptográfico do documento gerado nativamente pela função de hash MD5.
Considerando o cenário descrito e os fundamentos dos algoritmos criptográficos em uso, analise as afirmativas relativas ao diagnóstico do analista.
I. O sistema legado, ao manter o uso do DES para cifrar os documentos, apresenta uma vulnerabilidade crítica a ataques de força bruta sobre o espaço de chaves se comparado a um sistema atualizado que utilize o AES-128.
II. A geração periódica de um novo par de chaves RSA para os magistrados eliminaria os riscos de colisão associados à verificação de integridade das peças processuais assinadas no sistema.
III. A continuidade do uso da função MD5, ou mesmo sua eventual substituição direta pelo algoritmo SHA-1, mantém o sistema exposto ao risco de que dois documentos com teores diferentes produzam o mesmo resumo criptográfico.
Com base nas propriedades matemáticas e na segurança técnica dos algoritmos citados, está correto o que se afirma em
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: O enunciado exige distinguir a força bruta contra o DES da resistência a colisões do hash usado na assinatura; renovar as chaves RSA não atua sobre esse hash. Assim, I e III são verdadeiras, e o gabarito é C.
I é verdadeira: o DES utiliza 56 bits efetivos de chave, correspondentes a 2^56 possibilidades, enquanto o AES-128 possui 2^128 possibilidades. Essa diferença no espaço de busca fundamenta a vulnerabilidade do DES à força bruta em comparação com o AES-128.
III é verdadeira: tanto MD5 quanto SHA-1 apresentam ataques conhecidos de colisão, isto é, permitem encontrar documentos distintos que produzem o mesmo resumo criptográfico. Não se trata apenas da possibilidade matemática abstrata de colisões: a resistência desses algoritmos a encontrá-las está comprometida. Essa propriedade é necessária ao uso seguro do hash em assinaturas digitais; por isso, substituir MD5 diretamente por SHA-1 não resolve o problema apontado.
II é falsa: o cálculo do resumo e a operação de assinatura RSA são etapas distintas. Renovar o par de chaves RSA modifica as chaves usadas na assinatura, mas não altera a função MD5 nem desfaz a igualdade entre os resumos de documentos que colidem. Logo, a medida não elimina o risco identificado.
- Ao comparar resistência à força bruta, identifique os bits efetivos da chave: não confunda esse valor com o tamanho do bloco ou com bits de paridade.
- Ao avaliar uma substituição de hash, verifique a resistência a colisões do algoritmo de destino; trocar o nome do algoritmo não basta para corrigir a vulnerabilidade.
- Diferencie encontrar dois documentos com o mesmo hash de substituir arbitrariamente um documento já assinado: a existência de ataques de colisão não autoriza essa segunda conclusão.
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Comentários
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Para responder corretamente, vamos analisar cada uma das afirmativas apresentadas com base nos fundamentos de criptografia:
Análise das Afirmativas
* I. O sistema legado, ao manter o uso do DES para cifrar os documentos, apresenta uma vulnerabilidade crítica a ataques de força bruta sobre o espaço de chaves se comparado a um sistema atualizado que utilize o AES-128.
* Verdadeiro. O algoritmo DES (Data Encryption Standard) utiliza uma chave efetiva de apenas 56 bits, o que significa um espaço de chaves de 2^{56}. Hoje, com o poder computacional moderno, essa chave pode ser quebrada por força bruta em poucas horas ou até minutos. Em contraste, o AES-128 utiliza chaves de 128 bits (2^{128}), tornando ataques de força bruta computacionalmente inviáveis.
* II. A geração periódica de um novo par de chaves RSA para os magistrados eliminaria os riscos de colisão associados à verificação de integridade das peças processuais assinadas no sistema.
* Falso. O risco de colisão (quando dois arquivos diferentes geram o mesmo resumo/hash) é uma vulnerabilidade inerente à função de hash (neste caso, o MD5), e não ao algoritmo de assinatura assimétrica (RSA) ou à validade das chaves dos usuários. Trocar ou rotacionar as chaves RSA não resolve o problema de o MD5 ser vulnerável a ataques de colisão.
* III. A continuidade do uso da função MD5, ou mesmo sua eventual substituição direta pelo algoritmo SHA-1, mantém o sistema exposto ao risco de que dois documentos com teores diferentes produzam o mesmo resumo criptográfico.
* Verdadeiro. Tanto o MD5 quanto o SHA-1 são considerados criptograficamente quebrados no que tange à resistência a colisões (foram encontradas formas práticas de gerar colisões para ambos, como demonstrado pelo ataque SHAttered contra o SHA-1 em 2017). Substituir o MD5 diretamente pelo SHA-1 não garante a segurança moderna exigida; seria necessária a adoção de funções da família SHA-2 (como SHA-256) ou SHA-3.
Conclusão
Estão corretas apenas as afirmativas I e III.
Portanto, a alternativa correta é I e III, apenas.
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