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Q1705798 Linguística
De acordo com Antunes (2007), se uma criança diz “minhas colegas e meus colegos”, “um algodão” e “um algodinho”, é porque já domina as regras morfossintáticas de indicação do masculino e do feminino, bem como as regras de indicação do aumentativo e do diminutivo em português. Ou seja, já sabe esses pontos da gramática. Nesse caso, trata-se de qual gramática?
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Gabarito: A) Internalizada

Tema central: Diferença entre tipos de gramática, especialmente a gramática internalizada (competência), segundo os estudos linguísticos aplicados à aquisição da linguagem.

No contexto da questão, uma criança ao empregar corretamente expressões como “minhas colegas e meus colegos” e formas como “um algodão”/“um algodinho” demonstra um domínio intuitivo das regras de gênero e formação de aumentativo/diminutivo. Isso não vem do ensino formal (normas ou gramáticas escolares), mas da assimilação natural do funcionamento da língua portuguesa, elemento central da gramática internalizada.

Segundo Antunes (2007), esse conhecimento linguístico é fruto de exposição e interação com a língua e permite à criança formular regras, ainda que com eventuais hipercorreções ou “erros criativos”, típicos de quem domina a estrutura e experimenta espontaneamente novas formas.

Justificativa da alternativa correta: A expressão “domina as regras morfossintáticas” sem instrução formal evidencia o conceito de gramática internalizada, que é inconsciente, tácita e adquirida pelo uso cotidiano. Esse domínio é chamado na tradição linguística de competência linguística, estabelecida por Noam Chomsky, e também discutida em obras como “Muito além da gramática”, de Antunes (2007).

Analisando as alternativas incorretas:

B) Histórica: Relaciona-se à evolução diacrônica da língua, não à aquisição individual.
C) Normativa: Trata de regras prescritas, geralmente por gramáticas escolares ou institucionais.
D) Descritiva: Descreve usos reais, mas é função do linguista analisar; não é um saber tácito da criança.
E) Funcional: Enfatiza funções e propósitos comunicativos das estruturas, sem se focar na aquisição espontânea.

Dica de prova: Questões desse tipo cobram a atenção aos termos “intuitivo”, “inconsciente”, “natural” ou à ausência de ensino formal. Evite confundir com gramática normativa (emprega termos como “correto/incorreto”) ou descritiva (palavras como “observa”, “analisa” o uso social amplo). Fique atento a pegadinhas em trocas entre “internalizada” e “descritiva” — a primeira refere-se ao saber do falante, a segunda ao campo de estudo do linguista.

Resumo: Uma criança que aplica as regras gramaticais sem ter aprendido formalmente revela que já possui a gramática internalizada.

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Comentários

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Gramática internalizada – Como bem nos aponta o próprio nome, trata-se daquela habilidade de que dispõe o falante desde o momento em que ele começa a se mostrar apto a exercer os primeiros contatos com a linguagem propriamente dita, ou seja, desde o momento da aquisição da fala que, estando certo ou errado segundo os padrões formais, ele possui condições de ordenar suas ideias e expressar seu pensamento, conferindo assim um sentido lógico ao discurso que profere.

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