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Q3989549 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



CANÇÃO NA PLENITUDE


(1º§) Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida se machucou, há muito.


(2º§) Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins. (Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)


(3º§) O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.


(4º§) A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.


(5º§) Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.


(6º§) Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.


(Lya Luft é escritora e poetisa.) − (jornaldepoesia.jor.br/lyaluft.html) − (Acesso 03.10.2023) − (Adaptado)

Marque a informação que não se comprova no período transcrito a seguir:


"O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos"

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No período "O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos", a verificação dos elementos linguísticos presentes permite identificar o pronome oblíquo em próclise em "te posso dar" e a expressão "o que" com valor contextual equivalente a "aquilo que"; já a coexistência de uma preposição exigida por regência verbal e outra por regência nominal não se comprova de forma expressa e inequívoca no trecho.

Tema central: Pronomes e regência
Análise das alternativas
A
Errada
A informação se comprova no trecho. Em "te posso dar", o pronome oblíquo átono "te" aparece anteposto ao verbo da locução verbal, o que caracteriza próclise. Portanto, a alternativa não pode ser a resposta.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque aponta a informação que não se comprova no período citado. O trecho não oferece base segura para afirmar, de modo expresso e inequívoco, a presença simultânea de uma preposição por regência verbal e outra por regência nominal.
C
Errada
A alternativa não deve ser marcada porque a reescrita preserva o sentido semântico nuclear de "tudo o que perdi": a ideia de totalidade daquilo que foi perdido. A base admite essa paráfrase como equivalente quanto ao conteúdo contextual, ainda que não haja identidade estrutural absoluta.
D
Errada
A leitura de "o que" no período permite reconhecer, no contexto, valor equivalente a "aquilo que". Assim, a equivalência indicada pela alternativa encontra apoio na base, sem exigir uma formulação absoluta ou sem margem de leitura.
Pegadinha da questão
A banca mistura identificação de pronomes com verificação de regência e ainda pede a alternativa que não se comprova. O erro mais provável é tentar confirmar à força preposições de regência no trecho ou inverter a lógica da marcação.
Dica para questões semelhantes
  • Confirme cada afirmação diretamente no trecho, sem completar com elementos que não estejam expressos.
  • Em colocação pronominal, observe a posição real do pronome: em "te posso dar", a anteposição já comprova próclise.
  • Em reescrita, se o comando cobrar sentido semântico contextual, o critério é preservação do núcleo de sentido, não repetição da mesma forma.
  • Quando aparecer "o que", verifique se a expressão tem valor equivalente a "aquilo que" no contexto.

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