Observe a frase: “Engoliu um mosquito; baixou a cabeçorra; t...

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Q610888 Português
LEIA O TEXTO, O CURURU, DE JORGE DE LIMA E RESPONDA A QUESTÃO.

                                                                        O CURURU

Tudo quieto, o primeiro cururu surgiu na margem, molhado, reluzente na semiescuridão. Engoliu um mosquito; baixou a cabeçorra; tragou um cascudinho; mergulhou de novo, e bum-bum! Soou uma nota soturna do concerto interrompido. Em poucos instantes, o barreiro ficou sonoro, como um convento de frades. Vozes roucas, foi-não- foi, tãs-tãs, bum-buns, choros, esguelamentos finos de rãs, acompanhamentos profundos de sapos, respondiam-se. Os bichos apareciam, mergulhavam, arrastavam-se nas margens, abriam grandes círculos na flor d'água. ( ... ) Daí a pouco, da bruta escuridão, surgiram dois olhos luminosos, fosforescentes, como dois vagalumes. Um sapo cururu grelou-os (1) e ficou deslumbrado, com os olhos esbugalhados, presos naquela boniteza luminosa. Os dois olhos fosforescentes se aproximavam mais e mais, como dois pequenos holofotes na cabeça triangular da serpente. O sapo não se movia, fascinado. Sem dúvida queria fugir; previa o perigo, porque emudecera; mas já não podia andar, imobilizado; os olhos feíssimos, agarrados aos olhos luminosos e bonitos como um pecado. Num bote a cabeça triangular abocanhou a boca imunda do batráquio. Ele não podia fugir àquele beijo. A boca fina do réptil arreganhou-se desmesuradamente; envolveu o sapo até os olhos. Ele se baixava dócil entregando-se à morte tentadora, apenas agitando docemente as patas sem provocar nenhuma reação ao sacrifício. A barriga disforme e negra desapareceu na goela dilatada da cobra. E, num minuto, as perninhas do cururu lá se foram, ainda vivas, para as entranhas famélicas. O coro imenso continuava sem dar fé do que acontecia a um dos seus cantores.

LIMA, Jorge de. Calunga; O Anjo. 3. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1959. p. 160-1.

(1) Grelar: fitar profundamente os olhos em.
Observe a frase: “Engoliu um mosquito; baixou a cabeçorra; tragou um cascudinho; mergulhou de novo, e bum-bum!". Os verbos grifados estão na 3ª pessoa do singular porque o sujeito é:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda concordância verbal e identificação de sujeito, especificamente o sujeito oculto nas orações, exigindo capacidade de interpretação do texto para descobrir quem pratica as ações descritas.

Justificativa da alternativa correta – Letra C (cururu):

Em “Engoliu um mosquito; baixou a cabeçorra; tragou um cascudinho; mergulhou de novo, e bum-bum!”, todos os verbos estão na 3ª pessoa do singular. O sujeito dessas orações não está explícito nelas, mas pode ser identificado pelo segmento imediatamente anterior: “O primeiro cururu surgiu na margem, molhado, reluzente na semiescuridão.”

Pela norma-padrão, os verbos devem ser flexionados de acordo com o núcleo do sujeito (CUNHA & CINTRA; BECHARA). Nesse trecho, o sujeito cururu realiza todas as ações seguintes, sendo ele o sujeito oculto, pois não se repete por economia textual e porque ficou evidente pelo contexto.

Como evitar pegadinhas: O examinador apresenta outras palavras do texto que confundem, mas a resposta se encontra na compreensão do antecedente imediato e na análise cuidadosa dos verbos e sua concordância. Estratégia útil: sempre volte uma ou duas frases antes para localizar quem iniciou a sequência de ações.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) sapo: Aparece mais à frente no texto, não sendo o agente das primeiras ações citadas.
  • B) réptil: Só é mencionado posteriormente, ao descrever o ataque da serpente, sem relação com as ações do início.
  • D) serpente: Relacionada à cena do ataque final, não a quem ‘engoliu’, ‘baixou’, ‘tragou’ e ‘mergulhou’ no início.
  • E) semiescuridão: Expressão descritiva do ambiente, jamais funcionando sintaticamente como sujeito dos verbos.

Conceito em destaque: Sujeito oculto ou elíptico: “Aquele que não está explícito, mas pode ser identificado facilmente pelo contexto anterior da frase” (Bechara).

Em resumo, para chegar à alternativa correta, é obrigatório recuperar o sujeito antecedente pelo contexto e analisar a flexão verbal. Essa competência é chave para a interpretação de enunciados sintáticos na prova!

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Comentários

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É uma espécie de sapo da amazônia, nada agradável aos olhos. Rsrs .Porém, ele é fofinho no video da galinha pintadinha *-*. rsrsrsrsrs

 

 

GAB. C

OK.

GABARITO C

 

Tudo quieto, o primeiro cururu surgiu na margem, molhado, reluzente na semiescuridão. Engoliu um mosquito; baixou a cabeçorra; tragou um cascudinho; mergulhou de novo, e bum-bum! 

 

SUJEITO --> Cururu

 

 

bons estudos.

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