Nos dois primeiros parágrafos desenvolve-se uma figuração se...

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Q3910517 Português
Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto a seguir.


O mar, a terra, o homem


     O mar não é apenas adversário do homem que o desconhece, mas é também inimigo de suas próprias crias. Comо uma tigresa selvagem que abalada na selva esmaga os próprios filhotes, assim também o mar atira contra os rochedos até mesmo as baleias mais poderosas. Nem misericórdia, nem força nenhuma senão a do próprio mar governa.

   Considere a sutileza do mar, como as suas criaturas mais temidas deslizam sob as águas, invisíveis na maior parte, traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul. Considere também o brilho e a beleza diabólica de suas hordas sem piedade, como a forma delicadamente adornada de muitas espécies de tubarão. Considere, uma vez mais, também о canibalismo universal do mar, cujas criaturas se devoram umas às outras, continuando a guerra eterna desde o início do mundo.

   Considere tudo isso; e então se volte para esta terra tão verde, suave e dócil; ambos considere, o mar e a terra; e você não acha que existe uma analogia estranha com algo dentro de você? Pois, tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, tambéт há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida, aquela sobre a qual não temos nenhum controle. Que você não se afaste dessa ilha, pois poderá não mais voltar.


(Adaptado de: MELVILLE, Herman. Moby Dick. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 299)
Nos dois primeiros parágrafos desenvolve-se uma figuração segundo a qual o mar
Alternativas

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Gabarito: Letra E

Primeiro e segundo parágrafos do texto:

  "O mar não é apenas adversário do homem que o desconhece, mas é também inimigo de suas próprias crias. Comо uma tigresa selvagem que abalada na selva esmaga os próprios filhotes, assim também o mar atira contra os rochedos até mesmo as baleias mais poderosas. Nem misericórdia, nem força nenhuma senão a do próprio mar governa.

  Considere a sutileza do mar, como as suas criaturas mais temidas deslizam sob as águas, invisíveis na maior parte, traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul. Considere também o brilho e a beleza diabólica de suas hordas sem piedade, como a forma delicadamente adornada de muitas espécies de tubarão. Considere, uma vez mais, também о canibalismo universal do mar, cujas criaturas se devoram umas às outras, continuando a guerra eterna desde o início do mundo."

E - oculta sob suas tonalidades mais sedutoras a violência de criaturas impiedosas, que chegam a se entredevorar.

Observação:

A letra A pode causar uma certa dúvida:

A - chega a ameaçar até mesmo a selva que lhe é próxima, com a fúria de um animal que se faz presa do canibalismo.

Porém, perceba que em nenhum momento o texto afirma ou deixa subentendido que esse movimento de fúria ameaça o próprio mar, como a primeira parte da alternativa diz.

O texto constrói a imagem do mar baseada no contraste entre o que se vê e o que realmente acontece sob as águas:

A Sedução (Aparência): O autor menciona "matizes mais encantadores do azul" e a "forma delicadamente adornada" das criaturas.

A Violência (Realidade): Ele descreve as criaturas como "traiçoeiramente ocultas", "hordas sem piedade" e menciona o "canibalismo universal", onde as criaturas se devoram umas às outras.

Portanto, a alternativa E sintetiza exatamente essa ideia: a beleza superficial (tonalidades sedutoras) que esconde a natureza implacável e violenta (criaturas impiedosas que se entredevoram).

RESPECTIVOS ERROS:

chega a ameaçar até mesmo a selva que lhe é próxima, com a fúria de um animal que se faz presa do canibalismo.

  • O TEXTO NÃO FAZ REFERÊNCIA

se vale da sua aparência aterrorizante para intimidar a todos que pretendam se aventurar em suas águas turbulentas.

  • "traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul."

ostenta na superfície a mesma fúria que abriga nas profundezas, onde se batem e se devoram as criaturas que nele vivem. 

  • "traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul"

faz visíveis todas as ameaças que ele dirige a quem ousa enfrentar as criaturas que mantém sob a sua guarda.

  • "deslizam sob as águas, invisíveis na maior parte""

oculta sob suas tonalidades mais sedutoras a violência de criaturas impiedosas, que chegam a se entredevorar.

  • "invisíveis na maior parte, traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul

GAB E - "Oculta sob tonalidades" → A Estrutura do Contraste

O autor utiliza a estratégia da antítese para mostrar que a beleza estética não é garantia de paz. Na análise literária, isso serve para preparar o leitor para o terceiro parágrafo, onde ele comparará o mar à alma humana: algo que parece calmo por fora, mas esconde profundezas desconhecidas e perigosas.

Na frase: "Traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul." Aqui, as palavras "traiçoeiramente" e "encantadores" lutam entre si, criando a imagem de uma armadilha visual.

BIZU CRISTÃO: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” Mateus 23:27

Jesus usa a mesma figura de linguagem de Melville: o contraste entre a aparência exterior (o "caiado", a beleza, o azul do mar) e a realidade interior (a morte, o canibalismo, a podridão). O mestre alerta que o brilho externo pode esconder uma natureza "diabólica" ou destrutiva, exigindo de nós um discernimento que vá além da superfície das águas.

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