Na analogia estranha que o texto propõe, entende-se que

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Q3910516 Português
Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto a seguir.


O mar, a terra, o homem


     O mar não é apenas adversário do homem que o desconhece, mas é também inimigo de suas próprias crias. Comо uma tigresa selvagem que abalada na selva esmaga os próprios filhotes, assim também o mar atira contra os rochedos até mesmo as baleias mais poderosas. Nem misericórdia, nem força nenhuma senão a do próprio mar governa.

   Considere a sutileza do mar, como as suas criaturas mais temidas deslizam sob as águas, invisíveis na maior parte, traiçoeiramente ocultas sob os matizes mais encantadores do azul. Considere também o brilho e a beleza diabólica de suas hordas sem piedade, como a forma delicadamente adornada de muitas espécies de tubarão. Considere, uma vez mais, também о canibalismo universal do mar, cujas criaturas se devoram umas às outras, continuando a guerra eterna desde o início do mundo.

   Considere tudo isso; e então se volte para esta terra tão verde, suave e dócil; ambos considere, o mar e a terra; e você não acha que existe uma analogia estranha com algo dentro de você? Pois, tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, tambéт há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida, aquela sobre a qual não temos nenhum controle. Que você não se afaste dessa ilha, pois poderá não mais voltar.


(Adaptado de: MELVILLE, Herman. Moby Dick. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 299)
Na analogia estranha que o texto propõe, entende-se que
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, no último parágrafo, a analogia explicitada por "tal como", em que o "oceano aterrador" cerca a "terra verdejante" e, em paralelo, os "horrores da metade desconhecida da vida" rodeiam a alma humana. Essa relação de cerco ameaçador em torno de um núcleo de paz define o sentido correto da questão e conduz ao gabarito C.

Tema central: analogia entre mar e interioridade humana
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque introduz duas ideias que o texto não autoriza: igualdade de atração entre mar e terra e triunfo do homem ao aventurar-se nesses espaços. O texto constrói oposição, não equivalência valorativa: o mar é hostil, traiçoeiro e aterrador, enquanto a terra é "verde, suave e dócil". Também não há qualquer referência a aventura bem-sucedida ou triunfo humano.
B
Errada
Está errada porque desloca a analogia para "encantos afáveis" ocultos, mas o texto associa o que está oculto no mar ao perigo: criaturas "invisíveis", "traiçoeiramente ocultas". Na alma humana, o foco também não está em encantos escondidos ao olhar externo, e sim em um núcleo de paz cercado por horrores. Houve mudança do eixo semântico de ameaça para afabilidade.
C
Certa
A alternativa C é correta porque preserva a correspondência central do texto: o mar ameaça e cerca a terra, assim como os perigos e horrores da parte desconhecida da vida cercam a interioridade do homem. Ela mantém o eixo semântico de cerco e ameaça em torno de um núcleo de paz, expresso no trecho "na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria".
D
Errada
Está errada porque atribui ao texto um tema que ele não desenvolve: o homem servindo-se da terra e do mar sem cautela. A passagem trabalha uma analogia entre elementos da natureza e a interioridade humana, não uma reflexão sobre uso utilitário da natureza. Essa alternativa extrapola para um campo pragmático ausente do texto.
E
Errada
Está errada porque contradiz diretamente a caracterização da terra. O texto não diz que terra e mar compartilham fúria; ao contrário, opõe a "terra verde, suave e dócil" ao "oceano aterrador". Na analogia, a ameaça corresponde aos "horrores da metade desconhecida da vida", não a uma suposta ferocidade da terra.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca do eixo real da analogia — cerco e ameaça em torno de um núcleo de paz — por leituras genéricas de beleza natural, por ideias acrescentadas ao texto, como triunfo humano ou uso da natureza, e pela falsa simetria entre mar e terra.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto explicita uma analogia com marcas como "tal como", identifique quais elementos correspondem a quais, sem ampliar o sentido.
  • Separe os campos semânticos em oposição: aqui, mar = ameaça; terra = paz. A alternativa correta precisa preservar essa distribuição.
  • Elimine opções que acrescentem conteúdo não dito, como triunfo, utilidade prática ou características atribuídas a elementos que o texto descreve de modo oposto.

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Gabarito: Letra C

Trecho do texto:

3° parágrafo - "você não acha que existe uma analogia estranha com algo dentro de você? Pois, tal como o oceano aterrador cerca a terra verdejante, tambéт há na alma do homem um terreno insular, cheio de paz e alegria, mas rodeado por todos os horrores da metade desconhecida da vida, aquela sobre a qual não temos nenhum controle."

C - as ameaças do mar, que cercam a bela terra insulada, lembram os perigos que rondam a interioridade anímica do homem.

A alternativa correta é a C.

Para chegar a essa conclusão, precisamos analisar a construção da analogia (comparação) feita por Herman Melville no último parágrafo:

O autor estabelece uma relação direta entre o mundo exterior (geografia) e o mundo interior (psicologia/alma):

  1. O Mar: Representa o "oceano aterrador", as "hordas sem piedade", o canibalismo e a "metade desconhecida da vida" — aquilo que é selvagem e foge ao nosso controle.
  2. A Terra: Representa o "terreno insular" (a ilha), um lugar de "paz e alegria", verde e dócil.
  3. O Homem: Possui dentro de si essa mesma divisão. A alma humana tem um refúgio de paz (a ilha/terra), mas ele está cercado por horrores e forças caóticas (o mar) que podem destruir essa estabilidade se o homem se afastar demais do seu centro.
  • A: O texto não foca no "triunfo" do homem, mas sim na sua vulnerabilidade diante da força implacável do mar.
  • B: O mar não guarda "encantos afáveis" ocultos; o texto diz que ele oculta "criaturas temidas" e "canibalismo" sob matizes azuis. A beleza é descrita como "diabólica".
  • D: O texto é um alerta. Ele sugere justamente que o homem deve se acautelar ("Que você não se afaste dessa ilha"), ao contrário do que afirma a alternativa.
  • E: Embora o texto mencione a fúria do mar, a analogia principal não é sobre a "ferocidade das turbulências humanas", mas sobre como a paz interior (a ilha) é cercada e ameaçada pelo desconhecido e pelo incontrolável (o mar).

Resumo: A alternativa C sintetiza perfeitamente a imagem do texto: a terra insulada (paz da alma) cercada pelas ameaças do mar (os perigos da metade desconhecida da vida).

GAB C - "Terreno Insular" → Analogia Psicológica

A palavra "insular" vem de ilha. Na analogia, o autor coloca a consciência humana como uma pequena ilha de clareza e paz cercada por um oceano vasto, escuro e canibal (o inconsciente ou o destino). É uma imagem literária poderosa para descrever a fragilidade da nossa estabilidade emocional.

Na frase: "Há na alma do homem um terreno insular... rodeado por todos os horrores." O autor usa a geografia para explicar a psicologia: a ilha é o que conhecemos e controlamos; o mar é o que nos ameaça e nos ultrapassa.

BIZU CRISTÃO: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Provérbios 4:23

A recomendação bíblica é o "Bizu" perfeito para o conselho final de Melville: "Que você não se afaste dessa ilha". Guardar o coração é proteger esse terreno insular de paz. Assim como o cronista alerta para o perigo de se perder no oceano da vida, o texto sagrado ensina que a nossa prioridade é manter a integridade dessa "ilha" interior, pois se a perdermos, perdemos a nossa própria fonte de vida.

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