Deficiências de micronutrientes podem ocorrer após cirurgia ...
Gabarito comentado
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Tema central: Deficiências de micronutrientes após cirurgia bariátrica decorrem de menor ingestão, hipocloridria e, sobretudo, de malabsorção quando há desvio do duodeno/jejuno proximal. As condutas preventivas e terapêuticas variam conforme a técnica (ex.: bypass em Y-de-Roux, gastrectomia vertical). Referências: ASMBS Nutritional Guidelines 2016/2020; AACE/TOS/ASMBS 2019; UpToDate; Harrison’s.
Gabarito: A (INCORRETA)
Por que a A está incorreta?
– Perda óssea: não é “muito baixa”. Após bypass e, em menor grau, sleeve, há aumento de remodelação óssea, deficiência de vitamina D/Ca e hiperparatireoidismo secundário, com redução significativa de DMO em 6–24 meses (quadril/raio predominam). Evidência: ASMBS 2016/2020; UpToDate; AACE/ASMBS 2019.
– Cálcio: o citrato de cálcio é o sal preferido no pós-bariátrico (1.200–1.500 mg/d Ca elementar), pois independe de acidez gástrica para absorção. Em risco de nefrolitíase, o citrato não deve ser evitado; ao contrário, o citrato urinário reduz a formação de cálculos ao complexar cálcio (benefício adicional). Logo, a alternativa erra nos dois pontos.
Análise das demais alternativas
B – Correta. A deficiência de tiamina (B1) é mais frequente no pós-operatório imediato, sobretudo se houver vômitos/prolongado jejum. Profilaxia de 50–100 mg/d VO é recomendada em risco; em suspeita clínica, tratar imediatamente (100 mg IM/IV, podendo chegar a 200–500 mg) antes de glicose. (ASMBS; UpToDate).
C – Correta. B12 cai após bypass/ ressecções gástricas por menor IF e acidez. Suplementação pode ser VO em altas doses (350–1.000 mcg/d), sublingual ou IM; a via sublingual é estratégia válida e preventiva. (AACE/ASMBS; UpToDate).
D – Correta. Antes de repor folato, dosar B12. O folato corrige a anemia macrocítica, mas mascara a deficiência de B12, permitindo progressão de neuropatia. Conduta clássica de provas e diretrizes. (Harrison’s; ASMBS).
E – Correta. A anemia ferropriva decorre da exclusão do duodeno e jejuno proximal (sítios-chave de absorção), hipocloridria e menor tempo de contato do quimo, contribuindo para absorção deficiente. Suplementação: ferro elementar 45–60 mg/d (maior em mulheres pré-menopausa), com vitamina C. (ASMBS 2016/2020; UpToDate).
Estratégia de prova: Desconfie de afirmações do tipo “muito baixa”/“deve ser evitado” quando a prática é o oposto. Lembre: “cálcio citrato é o preferido” e “osso perde após bariátrica sem prevenção adequada”.
Condutas-chave: suplementar rotineiramente multivitamínico completo; Ca citrato + vitamina D3; ferro; B12 (VO alta dose/sublingual/IM); tiamina em risco; monitorar laboratórios periodicamente. (ASMBS/AACE).
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