Menino de 16 anos, com diabete melito tipo 1 descompensado, ...
Gabarito comentado
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Tema central: Gastroparesia (retardo do esvaziamento gástrico sem obstrução mecânica), especialmente em diabético tipo 1 descompensado no pós-operatório e em uso de opioide. Quadro típico: náuseas, vômitos (de conteúdo alimentar), distensão e dor abdominal após reintrodução da dieta, com imagem excluindo obstrução.
Alternativa correta (E): Na terapia nutricional da gastroparesia recomenda-se dieta pobre em gordura e fibras (ambas retardam o esvaziamento), fracionada 5–6x/dia, e maior uso de líquidos, que esvaziam mais rápido que sólidos. Estimular líquidos com as refeições e uso de preparações semissólidas/liquidificadas melhora tolerância e aporte calórico. Referências: UpToDate; Harrison’s; Diretrizes AGA 2022 (small-particle/low-fat diet, refeições fracionadas e maior proporção de líquidos).
Raciocínio clínico e diagnóstico: RNs para gastroparesia: DM1 mal controlado (neuropatia autonômica e efeito agudo da hiperglicemia), uso de opioides (atrasam motilidade), e pós-operatório. Obstrução mecânica já foi descartada por TC. Exame confirmatório de escolha: cintilografia do esvaziamento gástrico com refeição sólida (padrão-ouro). Excluir causas estruturais com EDA quando indicado. Alternativas diagnósticas: teste respiratório com 13C, cápsula de motilidade.
Tratamento de base: 1) Controle glicêmico rigoroso (hiperglicemia piora esvaziamento; prioridade). 2) Procinéticos: metoclopramida (1ª linha), domperidona (uso conforme disponibilidade/regulação), eritromicina em curto prazo. 3) Ajuste/evitar opioides. 4) TN conforme descrito; considerar suplementos líquidos e “small-particle diet”. Fontes: UpToDate; AGA 2022; Harrison’s.
Por que as demais estão incorretas?
A) Ecografia não é exame de escolha para gastroparesia. O exame recomendado é a cintilografia de esvaziamento gástrico com refeição sólida padronizada (padrão-ouro). US não quantifica adequadamente o esvaziamento (UpToDate/AGA).
B) Há múltiplos fatores de risco presentes: DM1 descompensado, pós-operatório e uso de opioides. Todos associados a retardo do esvaziamento gástrico (Harrison’s; AGA).
C) Falso. O controle glicêmico é prioritário: hiperglicemia aguda retarda o esvaziamento e piora sintomas; otimização da insulina melhora motilidade e náuseas (UpToDate).
D) Falso. Procinéticos são indicados: metoclopramida (aprovação formal), domperidona (alternativa útil onde disponível), eritromicina em curto prazo por taquifilaxia (AGA 2022).
Dicas de prova: 1) Se o enunciado exclui obstrução mecânica e há DM/opiáceos, pense em gastroparesia. 2) Lembre o padrão-ouro: cintilografia. 3) Em TN, grave: pouca gordura/fibra, refeição fracionada, mais líquidos. 4) Controle glicêmico e procinéticos são pilares terapêuticos.
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