Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empre...

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Q3953798 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026.
Considerando o funcionamento dos dois vocábulos "que" empregados no trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", analise seus valores sintáticos e discursivos no período complexo, observando a relação entre oração subordinante e elementos retomados ou introduzidos, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz...", o critério decisivo é a distinção entre "que" conjunção integrante e "que" pronome relativo: o primeiro apenas introduz a oração subordinada ligada a "Saber"; o segundo retoma "pessoa" e caracteriza esse antecedente.

Tema central: Valores sintáticos de que
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada em dois pontos específicos. O primeiro "que" não amplia explicativamente o sujeito; em "Saber que ao seu lado tem uma pessoa", ele introduz a oração subordinada ligada a "Saber". O segundo "que" também não tem valor comparativo: em "uma pessoa que pensa diferente de você", ele retoma "pessoa" e introduz caracterização restritiva do antecedente.
B
Errada
A alternativa inverte os valores dos dois vocábulos. O primeiro "que" não é pronome relativo, porque não há antecedente nominal expresso para ele retomar. Já o segundo "que" não é conjunção integrante, porque retoma claramente "pessoa" e exerce papel coesivo e sintático na oração subordinada adjetiva.
C
Errada
O erro está em atribuir ao primeiro "que" uma retomada do período anterior que o trecho não sustenta. Seu funcionamento é interno à estrutura "Saber que...". Além disso, o segundo "que" não introduz oração conclusiva; em "uma pessoa que pensa diferente de você", ele é pronome relativo com antecedente expresso, sem valor conclusivo.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque identifica o funcionamento dos dois vocábulos no período. O segundo "que" é pronome relativo, retoma o antecedente expresso "pessoa" e introduz a oração adjetiva restritiva "que pensa diferente de você". O primeiro "que" segue o enquadramento da base oficial ao introduzir a oração subordinada substantiva ligada a "Saber". Assim, D é a única opção compatível com o funcionamento dos dois vocábulos no trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre "que" conjunção integrante e "que" pronome relativo, além de induzir leituras sem base estrutural, como comparativo, conclusivo ou explicativo.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o "que" retoma um nome expresso no período; se retoma, há base para pronome relativo.
  • Se o "que" apenas introduz o conteúdo de uma oração e não retoma antecedente nominal, a tendência é ser conjunção integrante.
  • Não atribua ao "que" valores como conclusão, comparação ou explicação sem marca sintática clara no trecho.
  • Diferencie retomada anafórica real de simples continuidade temática do texto.

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