“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixin...

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Q938023 Português
“Ninguém nasce borboleta”, pensou Breno. Depois disse baixinho: “A borboleta é um presente do tempo”. Lá fora, ela, a borboleta, não pensava nada disso. Ocupava-se em voar pela noite de árvore em árvore. Era azul e sem dúvida um dia havia sido lagarta. Breno tem nove anos e é uma criança, a lagarta é como se fosse uma borboleta criança, mas quando Breno for adulto vira homem e não borboleta, e homens não voam. Sonho de Breno é voar, seja como piloto de avião ou jogador de futebol. Como borboleta, Breno nunca chegou a pensar, tem nove anos mas sabe que é menino e não lagarta. (MARTINS, Geovani. O caso da borboleta. In: O sol na cabeça: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.)
Nesse fragmento, Martins utiliza a repetição de uma mesma palavra, borboleta, como recurso coesivo. Na frase “Ocupava-se em voar pela noite de árvore em árvore”, o autor utiliza outro recurso, com a mesma finalidade. Assinale a alternativa que indica o recurso utilizado nessa frase.
Alternativas

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Tema central: A questão aborda coesão textual, mais precisamente o mecanismo de elipse, recurso em que um termo já mencionado no texto é omitido por ser facilmente subentendido pelo contexto. Esse é um dos principais temas cobrados nas provas discursivas e objetivas para o cargo de Professor dos Anos Iniciais.

Justificativa da alternativa correta (C):
Na frase “Ocupava-se em voar pela noite de árvore em árvore”, o verbo ocupar-se está conjugado na terceira pessoa do singular e não aparece explicitamente a quem ele se refere. Porém, o contexto deixa claro: trata-se da borboleta, já mencionada anteriormente. Assim, temos a ocorrência de elipse do sujeito. Esse artifício permite evitar repetições desnecessárias, tornando o texto mais fluido e coeso. Como mostram as gramáticas de referência (ex.: Bechara; Koch), a elipse é amplamente utilizada para ligar partes do texto sem redundância. Por isso, a alternativa correta é a C.

Análise das demais alternativas:

A) Afirma que não há sujeito e que a coesão é mantida pela forma verbal. Erro: O sujeito está elíptico, não inexistente. O mecanismo coesivo é a omissão (elipse) do sujeito, não a flexão verbal propriamente.

B) Aponta que a preposição “em” substitui o termo referente. Erro: A preposição apenas introduz o complemento do verbo, não substitui nenhum termo essencial ao sentido ou à coesão.

D) Diz que a repetição da palavra “árvore” garante a coesão. Erro: Embora a repetição seja recurso coesivo (repetição lexical), neste caso específico, o que mantém a ligação textual principal é a elipse do sujeito “borboleta”, e não a repetição de “árvore”.

Observações e Dicas para Concursos:
Fique atento ao uso da elipse nos textos: normalmente, quando o sujeito, verbo ou complemento já apareceram anteriormente, eles podem ser omitidos, tornando a leitura mais econômica e coesa. Sempre identifique o termo subentendido pelo contexto.

Autores como Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra afirmam que a elipse é um dos principais operadores da coesão referencial.

Resumo: O que garante a coesão nesse trecho é a elipse do sujeito “borboleta”, tornando a alternativa C a correta.

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Comentários

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Correta, C


O referente está implícito.


Quem se ocupava em voar? A Borboleta.


Portanto: a Borboleta ocupava-se em voar....

Os recursos coesivos são responsáveis por promover e manter a coesão do texto e podem ser gramaticais (conjunções, numerais, sinônimos, advérbios, preposições, pronomes) e lexicais (sinônimos, termos genéricos ou específicos). Esses recursos ou elementos coesivos possuem a função de garantir a união entre as várias partes de um texto.

A coesão lexical procura evitar a repetição de palavras utilizando expressões com significação semelhante. Podemos usar sinônimos (palavras de sentido parecido), hiperônimos (palavras que apresentam sentido mais abrangente) ou perífrases (expressam por várias palavras o que poderia ser explicado em poucas, ou mesmo em uma só palavra).

Exemplo: Fui a Paris ano passado. A cidade luz encantou-me para sempre.

Para não repetir o termo "borboleta", utiliza-se o termo de forma implícita (sujeito oculto), pois se sabe a quem o verbo "ocupar" se refere.

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