Paciente de 65 anos com carcinoma gástrico, em uso, há dois ...

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Q3835710 Medicina
Paciente de 65 anos com carcinoma gástrico, em uso, há dois meses, de 5 fluorouracil, mitomicina e doxorrubicina, apresenta quadro de astenia progressiva. O hemograma mostra fragmentação de hemácias, leucócitos 4200, plaquetas de 25.000. O tempo de protrombina é de 15 segundos com INR = 1.5.
O diagnóstico mais provável é o seguinte: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A combinação de fragmentação de hemácias (esquizócitos), trombocitopenia importante e prolongamento do TP/INR indica anemia hemolítica microangiopática com coagulopatia de consumo, padrão que favorece coagulação intravascular disseminada. Em SHU/PTT, apesar dos esquizócitos e da plaquetopenia, os testes de coagulação costumam permanecer normais.

Tema central: CIVD versus SHU
Análise das alternativas
A
Errada
SHU pode cursar com anemia hemolítica microangiopática e trombocitopenia, o que explica a semelhança inicial. O ponto que a exclui é o coagulograma: nas microangiopatias trombóticas primárias, como SHU/PTT, TP e TTPa em geral são normais. Aqui há TP de 15 segundos com INR 1,5, achado que favorece CIVD. Além disso, o enunciado não destaca insuficiência renal aguda como elemento marcante.
B
Certa
A alternativa B está correta porque CIVD explica o conjunto laboratorial descrito: esquizócitos por hemólise microangiopática, trombocitopenia por consumo plaquetário e prolongamento do TP/INR por consumo de fatores de coagulação. Em paciente com neoplasia maligna, esse padrão é compatível com CIVD.
C
Errada
Hipoplasia medular por quimioterapia pode causar citopenias, especialmente leucopenia e trombocitopenia, mas não explica fragmentação de hemácias. Esquizócitos indicam hemólise microangiopática, não falência medular pura. O antecedente de quimioterapia é um fator de confusão real, porém mielossupressão isolada não justifica o padrão de hemólise com coagulopatia.
D
Errada
Hiperesplenismo por metástase hepática poderia causar citopenias por sequestro esplênico, mas não produz esquizócitos como achado definidor nem explica TP/INR alargado por consumo. Além disso, o enunciado não informa metástase hepática nem esplenomegalia. Portanto, falta o mecanismo hematológico compatível com o padrão apresentado.
E
Errada
Infiltração metastática da medula óssea pode causar anemia e trombocitopenia por acometimento medular, às vezes com quadro leucoeritroblástico, mas não tem como achado característico a fragmentação de hemácias por microangiopatia. Também não explica diretamente o prolongamento do TP/INR como coagulopatia de consumo. O padrão do enunciado é mais bem explicado por CIVD do que por infiltração medular.
Pegadinha da questão
A banca induz a marcar SHU ou toxicidade da quimioterapia ao mostrar esquizócitos em paciente oncológico, mas o dado que desempata é o TP/INR alargado, que aponta para CIVD.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver esquizócitos e plaquetopenia, use o coagulograma para separar CIVD de SHU/PTT: TP/INR prolongado favorece CIVD.
  • Não atribua citopenias de paciente em quimioterapia à mielossupressão sem verificar se há sinais de hemólise microangiopática no esfregaço.
  • Em paciente com câncer, integre sempre plaquetas, esfregaço periférico e provas de coagulação antes de concluir por infiltração medular ou hiperesplenismo.

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