O médico tem o dever de saber sobre Farmacologia e suas aco...
I - Os medicamentos chegam ao sistema nervoso central (SNC) através dos capilares encefálicos e do líquido cefalorraquidiano. Embora o cérebro receba cerca de um sexto do débito cardíaco, a penetração do fármaco é restrita por conta das características de permeabilidade do cérebro. Embora alguns fármacos solúveis em lipídios (p. ex., tiopental) entrem no encéfalo rapidamente, os compostos polares não o fazem.
II - Os fármacos podem entrar diretamente no líquido cefalorraquidiano ventricular pelo plexo coroide e, em seguida, difundir-se de modo passivo do líquido cefalorraquidiano para o tecido encefálico. Também no plexo coroide, os ácidos orgânicos (p. ex., penicilina) são transportados ativamente do líquido cefalorraquidiano para o sangue.
III - O índice de penetração do fármaco para o líquido cefalorraquidiano, da mesma forma que para outros tecidos, é determinado, principalmente, por extensão de ligação às proteínas, grau de ionização e coeficiente de partição lipídio-água do fármaco. O índice de penetração no encéfalo é lento para os fármacos que se ligam amplamente às proteínas e quase inexistente para as formas ionizadas de bases e ácidos fracos. Como o sistema nervoso central tem perfusão muito boa, o índice de distribuição do fármaco é determinado principalmente pela permeabilidade.
Gabarito comentado
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Tema central: penetração de fármacos no sistema nervoso central (SNC), determinada pela barreira hematoencefálica (BHE), barreira hemato-liquórica (plexo coroide) e pelas propriedades fisicoquímicas dos medicamentos (lipossolubilidade, grau de ionização e ligação a proteínas).
Gabarito: D – Todos os itens estão corretos.
Justificativa resumida:
I. A BHE possui junções firmes nos capilares cerebrais que limitam a passagem de moléculas polares. Assim, fármacos lipossolúveis (ex.: tiopental) penetram rapidamente, enquanto compostos polares entram pouco. O cérebro recebe grande fração do débito cardíaco, mas a permeabilidade é o fator limitante. Transportadores de efluxo (ex.: P-glicoproteína) reforçam a restrição. Correto.
II. O plexo coroide regula a entrada/saída de fármacos no LCR. Há passagem para o LCR e posterior difusão passiva para o parênquima. Existem transportes ativos que removem ácidos orgânicos (ex.: penicilina) do LCR para o sangue via transportadores de ânions orgânicos (OAT), explicando a baixa permanência desses fármacos no LCR. Correto.
III. O índice de penetração no LCR/SNC depende de: ligação a proteínas (só a fração livre difunde), grau de ionização (formas não ionizadas atravessam melhor; regra de Henderson–Hasselbalch) e coeficiente lipídio-água. Em um órgão com alta perfusão como o cérebro, o fator limitante é a permeabilidade da BHE, não o fluxo sanguíneo. Correto.
Análise das alternativas incorretas:
A (I e II): incorreta, pois o item III também é verdadeiro. B (I e III): incorreta, o item II é verdadeiro. C (II e III): incorreta, o item I é verdadeiro. E (todos incorretos): incorreta, pois I, II e III estão corretos.
Dicas de prova:
- Associe lipossolubilidade a rápida penetração no SNC (ex.: anestésicos IV).
- Lembre que ionização reduz difusão através de membranas; inflamação meníngea aumenta permeabilidade (p. ex., antibióticos).
- Identifique o papel do plexo coroide: entrada no LCR e efluxo ativo de ácidos orgânicos.
Referências: Goodman & Gilman’s The Pharmacological Basis of Therapeutics; Rang & Dale’s Pharmacology; UpToDate – “Drug delivery to the central nervous system”.
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