Sobre construção textual, pode-se afirmar que, no TEXTO, há ...

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Ano: 2019 Banca: IDECAN Órgão: IF-PB Prova: IDECAN - 2019 - IF-PB - Professor - Física |
Q2006264 Português
TEXTO PARA AS QUESTÃO
FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

          Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. 


(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Sobre construção textual, pode-se afirmar que, no TEXTO, há predominância de 
Alternativas

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Gabarito: A) narração argumentativo-filosófica.

Tema central: Esta questão trata da identificação de predominância de sequências textuais em uma passagem literária, exigindo compreensão dos conceitos de narração, descrição, exposição, argumentação e injunção, conforme a norma-padrão (veja Bechara, Cunha & Cintra).

Justificativa da alternativa correta:

O trecho de Machado de Assis revela primeiramente a narração, pois há relato de ações do narrador (“Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios”). Logo em seguida, aparecem reflexões filosóficas e argumentativas sobre o motivo dos epitáfios e o sentimento dos vivos, caracterizando argumentação calcada em análise filosófica (“eles são... uma expressão daquele pio e secreto egoísmo...”, “Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável...”).

Assim, segundo as gramáticas (vide Cunha & Cintra, cap. Tipologia), a narração é a sequência de acontecimentos e a argumentação filosófica é a justificativa, típica de textos reflexivos. Isso responde pelo predomínio de narração argumentativo-filosófica no texto.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) narração meramente expositiva: Errada, pois não há exposição que apenas apresenta fatos sem análise ou reflexão; o texto argumenta.
  • C) narração injuntiva-expositiva: Inválida, pois não há instrução/ordem ao leitor (injunção), nem predominância de explicação neutra (exposição).
  • D) argumentação exclusivamente persuasiva: Incorreta, pois há narração, e a argumentação aqui é mais reflexiva do que persuasiva (não visa apenas convencer).
  • E) descrição argumentativa-narrativa: Inadequada. A descrição exige detalhamento estático de objetos, pessoas ou lugares, o que não ocorre no trecho.

Estratégia para questões desse tipo: Busque sempre os verbos de ação para a narração (ex: “fingindo ler”, “afastando-me”), e as palavras com juízo de valor para a argumentação (ex: “gosto dos epitáfios”, “egoísmo que induz o homem...”).

Dica: Atenção aos termos “meramente”, “exclusivamente”, pois geralmente restringem demais o sentido e podem ser pegadinhas!

Referências: Cunha & Cintra (Tipologia textual); Bechara (Sequências Discursivas).

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Comentários

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Argumentativo-Filosófica: Imediatamente após a ação, o narrador interrompe o fluxo dos acontecimentos para refletir sobre a natureza dos epitáfios.

Ele apresenta uma tese (que os epitáfios são uma expressão de "pio e secreto egoísmo") e desenvolve um raciocínio para justificá-la, transformando o fato narrado em uma meditação filosófica sobre a morte e a vaidade humana.

E onde está a narração?

O fragmento inicia com uma ação ("Saí", "afastando-me"), situando o leitor em um momento específico da história.

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