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Ano: 2013 Banca: FCC Órgão: MPC-MS Prova: FCC - 2013 - MPC-MS - Analista de Contas |
Q465560 Português
O preço da virtude

Nossas qualidades naturais são, já por si, virtuosas? Pessoas de temperamento calmo e índole generosa, por exemplo, podem ser vistas como gente indiscutivelmente meritória? Mulheres e homens bem intencionados devem ser julgados apenas com base em suas boas intenções? Tais perguntas nos levam a um complicado centro de discussão: haverá algum valor moral nas ações que se executam com naturalidade, sem o enfrentamento de qualquer obstáculo, ou o que é natural não encerra virtude alguma, já que não encontra qualquer adversidade?

Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna cujo desempenho implica algum sacrifício do sujeito. A virtude estaria, assim, não na natureza do indivíduo, mas na sua firme disposição para sacrificar-se em benefício de um outro ser ou de um ideal. O sacrifício indicaria o desprendimento moral, o ato desinteressado, a disposição para pagar um preço pela escolha feita: eu me disponho a passar fome para que essa criança se alimente; eu deixo de usufruir um prazer para que o outro possa experimentá-lo.

Nessa questão, valores éticos e valores religiosos podem até mesmo se confundir. A palavra sacrifício tem o sagrado na raiz; mas não é preciso ser religioso para se provar a capacidade de renúncia. Quanto ao preço a pagar, não há dúvida: sempre reconheceremos mais mérito em quem foi capaz de agir passando por cima de seu próprio interesse do que naquele que agiu sem ter que enfrentar qualquer ônus em sua decisão.

(TRANCOSO, Doroteu. Inédito)

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Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A decisão depende de três elementos da BASE: o texto associa virtude à disposição de sacrificar-se e de pagar um preço moral; o comando exige uma redação “inteiramente clara e correta”; e a alternativa E é a única que preserva esse núcleo semântico sem vício de construção, enquanto as demais falham por problemas formais objetivos.

Tema central: virtude e sacrifício
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa é eliminada por defeito objetivo de redação. Há inadequação de regência em “não considera de que” e impropriedade vocabular em “mereça a pecha de virtuosismo”. Além disso, “pecha” traz valor depreciativo, o que não reproduz com precisão a discussão do texto. Embora tente se aproximar da ideia de que qualidades naturais não bastam para a virtude, a questão exige redação correta, e essa alternativa não atende a esse critério.
B
Errada
A alternativa contém erros evidentes de forma: “acsioma” e “replete” são formas incorretas. Além disso, o fechamento “assegurando assim toda a sua inocuidade” produz formulação semanticamente artificial e mal articulada. A menção a “boas intenções” dialoga com o texto, mas a correção linguística está comprometida de modo objetivo.
C
Errada
A redação é normativamente inadequada e sintaticamente truncada. Há problema no uso de “porque”, impropriedade em “aonde”, que exige ideia de movimento inexistente no contexto, e mau encaixe sintático de “lhe” em “aonde lhe faltasse”. Mesmo que a frase tente se aproximar da tese de que o sacrifício qualifica moralmente a ação, esses vícios de construção impedem que ela seja considerada clara e correta.
D
Errada
A alternativa fracassa por construção fragmentária. Falta uma estrutura oracional completa, e o encadeamento “Quando há desprendimento moral, apesar do sacrifício, cuja virtude se patenteia exatamente em função disto” não se fecha sintaticamente. Também há articulação defeituosa e referente ambíguo para “cuja”. O fato de empregar expressões do texto, como “desprendimento moral” e “sacrifício”, não corrige a ausência de clareza e completude sintática.
E
Certa
A alternativa E mantém fielmente a ideia central do texto: a virtude envolve disposição para pagar um preço, isto é, para fazer sacrifício. Isso corresponde aos trechos em que o texto fala em “disposição para sacrificar-se” e em “disposição para pagar um preço pela escolha feita”. Além da compatibilidade de sentido, a frase é gramaticalmente adequada na forma proposta.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre proximidade temática e redação correta: várias alternativas recuperam palavras ou ideias do texto, mas só uma combina compatibilidade de sentido com correção gramatical e clareza sintática.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de reescrita, confirme sempre os dois planos: fidelidade ao sentido do texto-base e correção formal da frase proposta.
  • Não valide uma alternativa só porque ela repete palavras do texto; verifique regência, coesão, ortografia e fechamento sintático.
  • Se o texto apresentar uma tese explícita, use esse núcleo semântico como filtro principal para aceitar ou excluir reescritas.
  • Quando o comando exigir redação “clara e correta”, um único vício objetivo de construção já basta para eliminar a alternativa.

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Comentários

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Gabarito E

a) Alguns erros de preposição como "de que". E a palavra "pecha", parece não ter nexo no contexto:

pe·cha |é|

substantivo feminino

Defeito, senão, balda.

b) Axioma.
c) "Porque" me parece empregado de forma errada, "Aonde" também.
d) Nada clara.

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