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Q3794843 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Dois mais dois



    O Rodrigo não entendia por que precisava aprender matemática, já que a sua minicalculadora faria todas as contas por ele, pelo resto da vida, e então a professora resolveu contar uma história.

    Contou a história do Supercomputador. Um dia, disse a professora, todos os computadores do mundo serão unificados num único sistema, e o centro do sistema será em alguma cidade do Japão. Todas as casas do mundo, todos os lugares do mundo terão terminais do Supercomputador. As pessoas usarão o Supercomputador para compras, para recados, para reservas de avião, para consultas sentimentais. Para tudo. (...)

    Um dia, um garoto perguntará ao pai:

    – Pai, quanto é dois mais dois?

    – Não pergunte a mim – dirá o pai –, pergunte a Ele.

    E o garoto digitará os botões apropriados e num milésimo de segundo a resposta aparecerá na tela. E então o garoto dirá:

    – Como é que sei que a resposta é certa?

    – Porque Ele disse que é certa – responderá o pai.

    – E se Ele estiver errado?

    – Ele nunca erra.

    – Mas se estiver?

    – Sempre podemos contar nos dedos.

    – O quê?

    – Contar nos dedos, como faziam os antigos. Levante dois dedos. Agora mais dois. Viu? Um, dois, três, quatro. O Computador está certo.

    – Mas, pai, e 362 vezes 17? Não dá para contar nos dedos. A não ser reunindo muita gente e usando os dedos das mãos e dos pés. Como saber se a resposta d’Ele está certa? Aí o pai suspirou e disse:

    – Jamais saberemos ...

    O Rodrigo gostou da história, mas disse que, quando ninguém mais soubesse matemática e não pudesse pôr o Computador à prova, então não faria diferença se o Computador estava certo ou não, já que a sua resposta seria a única disponível e, portanto, a certa, mesmo que estivesse errada, e... Aí foi a vez da professora suspirar.



VERÍSSIMO, Luis Fernando. Dois mais dois. Disponível em .<https://www.culturagenial.com/cronicasengracadas-de-luis-fernando-verissimocomentadas/>.

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Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O texto relata acontecimentos encadeados envolvendo personagens ('Rodrigo', 'a professora', 'um garoto', 'o pai'), narrados por voz externa aos fatos, com inserção de falas diretas marcadas por travessão. Isso caracteriza narração em terceira pessoa e sustenta a alternativa C.

Tema central: Tipologia textual e foco narrativo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a predominância não é descritiva. O Supercomputador não é apresentado por enumeração central de características; ele surge como elemento interno da história contada pela professora. O núcleo do texto é a narração de acontecimentos e diálogos.
B
Errada
Está errada no foco narrativo. Embora o texto seja narrativo e traga falas diretas, o narrador não é de primeira pessoa. Não há narrador-personagem nem marcas de 'eu' ou 'nós'; os fatos são contados por voz externa à história.
C
Certa
A alternativa C corresponde à estrutura efetiva do texto. Há narrativa de fatos encadeados, com personagens identificáveis e progressão de ações, o que afasta descrição ou dissertação como forma predominante. Além disso, o narrador não se inclui na história, pois relata os fatos de fora, em terceira pessoa, como em referências a 'Rodrigo' e 'a professora'. As falas dos personagens aparecem diretamente reproduzidas por travessão, confirmando também a menção ao discurso direto.
D
Errada
Está errada porque não predomina estrutura dissertativa. O texto não apresenta exposição argumentativa explícita do autor nem depoimento pessoal direto sobre computação; a reflexão crítica decorre da narrativa ficcional, não de dissertação.
E
Errada
Está errada por dois motivos cumulativos: o texto não é predominantemente dissertativo e o autor não se coloca como personagem. Falta enunciação em primeira pessoa e falta inserção do autor no enredo.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre reflexão crítica e dissertação, além da falsa associação entre presença de diálogos e narrador em primeira pessoa.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique o que predomina: ações encadeadas indicam narração; enumeração de características indica descrição; defesa explícita de ideias indica dissertação.
  • Depois verifique o foco narrativo: se a voz que conta os fatos não participa da história e trata os personagens por 'ele/ela', o narrador é de terceira pessoa.
  • A presença de travessões e falas reproduzidas diretamente confirma discurso direto, mas não altera, por si só, o foco narrativo.
  • Não confunda tema tecnológico ou crítica implícita com texto descritivo ou dissertativo se a organização principal continuar sendo narrativa.

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