A falência aguda da pele ou Acute Skin Failure (ASF) não pos...
Como fatores preditores ao aparecimento de ASF, destacam-se a ventilação mecânica prolongada (> 72h), a falência múltipla de órgãos (2 ou mais sistemas comprometidos), a presença de doença arterial periférica e a sepse ou choque séptico.
A figura, a seguir, demonstra um caso de desenvolvimento de ASF em um paciente com COVID-19, internado em terapia intensiva, dependente de ventilação mecânica, por 166 dias, quando evoluiu para óbito.
Infográfico da evolução clínica da ASF em decorrência da COVID-19 em paciente internado na unidade de tratamento intensivo. São Paulo (SP), Brasil – 2020.
Fonte: RAMALHO, A. O.; ROSA, T. S.; SANTOS, V. L. C. G.; NOGUEIRA, P. C. Acute skin failure e lesão por pressão em paciente com Covid-19. ESTIMA Brazilian Journal of Enterostomal Therapy, São Paulo, v. 19, e0521, 2021.
Entre o D10 e o D40, foram utilizados, para proteção da área acometida, espuma de poliuretano multicamadas com silicone e bordas, além da manutenção dos cuidados tópicos e mudança de decúbito; com delimitação da área isquêmica e evolução da área acometida para necrose. Foram realizadas aplicações de hidrofibra com prata e hidrogel, visando à absorção vertical do exsudato, gerenciamento da umidade e auxílio no desbridamento autolítico, associados a coberturas de alta tecnologia (espumas de poliuretano com silicone e bordas). Destaca-se que foi um mês de evolução da necrose.
Considere as duas assertivas a seguir sobre esse caso.
I- No D40, a opção pelo desbridamento cirúrgico foi equivocada, pois considerando as diversas tecnologias para desbridamento químico/enzimático existentes, outras coberturas deveriam ser, obrigatoriamente, aplicadas.
PORQUE
II- A progressão desse tipo de lesão independe do tempo de resposta, pois os órgãos vitais ainda estão capazes de garantir as suas respectivas funções.
Marque a alternativa CORRETA.
Comentários
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um comentário pelo amor de Deus
I e II são falsas.
I - Falsa
Não é obrigatório utilizar outras coberturas antes de realizar um desbridamento cirúrgico.
A indicação do tipo de desbridamento depende de vários fatores, como:
- tipo e quantidade de tecido desvitalizado;
- presença de infecção;
- urgência da remoção do tecido necrótico;
- condição clínica do paciente;
- perfusão tecidual;
- dor e tolerância do paciente.
Em algumas situações, o desbridamento cirúrgico é a primeira escolha, especialmente quando há:
- grande quantidade de necrose;
- infecção importante;
- suspeita de sepse;
- necessidade de remoção rápida do tecido desvitalizado.
Portanto, não existe uma regra de que se deva usar, obrigatoriamente, outro tipo de cobertura ou desbridamento antes do cirúrgico.
II - Falsa
Isso está incorreto porque, na lesão por pressão, o tempo de resposta é determinante.
Quanto mais tempo a pressão, o cisalhamento e a umidade permanecem atuando sem intervenção, maior é o dano tecidual e maior a chance de progressão da lesão.
Por exemplo:
- uma lesão inicial pode evoluir para perda tecidual mais profunda se não houver alívio da pressão;
- a identificação precoce e a intervenção rápida (mudança de decúbito, superfícies de apoio, controle da umidade, nutrição adequada etc.) podem impedir a progressão da lesão.
Além disso, a justificativa:
não tem relação direta com a fisiopatologia da lesão por pressão. A LPP resulta principalmente de isquemia tecidual causada por pressão prolongada, e não do fato de os órgãos vitais estarem funcionando adequadamente.
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