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Q4235125 Medicina
Texto para a questão


Menino, 3 anos de idade, com antecedente de atresia de vias biliares, em uso de ácido ursodesoxicólico e propranolol, é levado ao pronto-socorro por evacuações escuras, amolecidas e de odor fétido há poucas horas. Ao exame físico, apresenta-se em estado geral regular, pele e mucosas hipocoradas, taquicardia, perfusão periférica adequada, eupneico, anasarcado, ascite volumosa e indolor, com circulação colateral abdominal evidente. Diante do quadro, foram instituídas as seguintes condutas iniciais: jejum, soro de manutenção, expansão volêmica de 10 mL/kg, introdução de octreotide em infusão contínua, cefotaxima, vitamina K e coleta de exames laboratoriais. 

Foram realizados exames laboratoriais, que apresentaram os seguintes resultados:


Cr: 2,6 mg/dL (prévia: 0,6 mg/dL)


Ur: 100 mg/dL (prévia: 44 mg/dL)


Na⁺: 108 mEq/L


K⁺: 3,5 mEq/L


Hb: 9,4 g/dL (prévia: 9,5 g/dL)


Ht: 27%


Leucócitos: 3.500/mm³ (80% neutrófilos)


Plaquetas: 90.000/mm³


Coagulograma: INR 2,5


Em relação à hiponatremia descrita, qual a classificação mais provável?

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na presença de anasarca, ascite volumosa e antecedente de doença hepática crônica descompensada, a hiponatremia é mais provavelmente hipotônica/hiposmolar hipervolêmica. O dado decisivo é a expansão do volume extracelular com retenção de água proporcionalmente maior que a de sódio, como ocorre na cirrose com baixo volume arterial efetivo.

Tema central: Hiponatremia na cirrose
Análise das alternativas
A
Errada
Hiponatremia euvolêmica é incompatível com anasarca e ascite volumosa. Edema generalizado e ascite são sinais clínicos de expansão do volume extracelular, o que exclui euvolemia.
B
Errada
A presença de melena, taquicardia e expansão volêmica inicial pode sugerir redução do volume arterial efetivo, mas isso não redefine a classificação como hipovolêmica quando o exame físico mostra sobrecarga hídrica manifesta. Em cirrose com ascite e anasarca, a classificação nefrológica da hiponatremia é hipervolêmica.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o enunciado mostra um estado edematoso típico de cirrose descompensada: anasarca, ascite volumosa e circulação colateral abdominal. Nessa situação, há aumento do sódio corporal total e da água corporal total, mas com retenção hídrica relativamente maior por redução do volume arterial efetivo e retenção renal de água, produzindo hiponatremia dilucional. Esse padrão corresponde à classificação hiposmolar hipervolêmica.
D
Errada
Hiponatremia hiperosmolar exige causa de osmóis efetivos, como hiperglicemia importante ou manitol, o que não foi descrito. Além disso, o estado volêmico predominante no enunciado não é hipovolêmico, mas hipervolêmico pelos sinais de edema e ascite.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre baixo volume arterial efetivo da cirrose e hipovolemia global: apesar de hemorragia digestiva e taquicardia, os achados decisivos para classificar a hiponatremia são anasarca e ascite, que definem estado hipervolêmico.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique a hiponatremia pelo estado volêmico clínico: edema e ascite apontam para hipervolemia.
  • Na cirrose descompensada, baixo volume arterial efetivo não muda a categoria volêmica global da hiponatremia quando há sobrecarga edematosa.
  • Não conclua hiperosmolaridade sem dado que a sustente, como hiperglicemia importante ou outro osmól efetivo.
  • Sangramento agudo pode coexistir, mas não supera sinais francos de retenção total de água e sódio na classificação pedida.

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